A crescente preocupação com o impacto do uso de celulares no ambiente escolar tem levado a sociedade brasileira a apoiar medidas mais rígidas sobre o tema. De acordo com uma pesquisa realizada pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, 86% dos brasileiros defendem algum tipo de restrição ao uso de aparelhos móveis nas escolas. Destes, 54% são favoráveis à proibição total, enquanto 32% acreditam que o uso do celular deve ser restrito a atividades pedagógicas autorizadas pelos professores.
A pesquisa, que entrevistou 2.010 pessoas de todas as unidades da federação, também revela que os jovens, embora representem a faixa etária com menor adesão à proibição total, também têm uma visão favorável à regulamentação. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 46% são a favor de uma proibição total, enquanto 43% defendem um uso mais restrito. A adesão à medida é ainda maior entre as faixas etárias mais altas, com 58% dos brasileiros entre 41 e 59 anos a favor da proibição total, e o apoio crescendo conforme a renda aumenta.
Especialistas apontam que o uso excessivo de celulares pode prejudicar o aprendizado dos alunos. A psicopedagoga Camila Sampaio destaca os danos cognitivos e socioemocionais causados pelo uso excessivo dos dispositivos, como a diminuição da capacidade de concentração, memória e criatividade. Ela ressalta, ainda, o impacto no desenvolvimento da socialização e das habilidades de comunicação verbal.
Em nível legislativo, um projeto de lei tramita na Câmara dos Deputados propondo a restrição do uso de celulares nas escolas, com a proibição para crianças de até 10 anos e o uso permitido apenas para atividades pedagógicas a partir dos 11 anos. Além disso, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou um projeto que proíbe o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos nas escolas públicas e privadas, salvo em situações relacionadas ao aprendizado. A proposta aguarda agora a sanção do governador Tarcísio de Freitas. ( Inf da Ag. Brasil )

