A implantação da aduana integrada da Rota Bioceânica, em Porto Murtinho, avança com a elaboração do projeto arquitetônico e a articulação entre Brasil e Paraguai. A estrutura será responsável por concentrar os procedimentos de fiscalização na fronteira e facilitar o transporte internacional de mercadorias e passageiros. Apesar dos avanços, a previsão é de que a operação comercial plena do corredor tenha início apenas em 2028.
Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, o Paraguai trabalha com a expectativa de liberar seu acesso à ponte internacional em fevereiro de 2027. Já a conclusão dos acessos rodoviários brasileiros está prevista para o decorrer do próximo ano.
O Centro Integrado de Controle de Fronteira será construído em território brasileiro, próximo ao acesso de 13,1 quilômetros que ligará a BR-267 à ponte sobre o Rio Paraguai, conectando Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.
A estrutura reunirá serviços aduaneiros, migratórios, sanitários e de segurança dos dois países, com o objetivo de reduzir a burocracia, agilizar a passagem de caminhões e passageiros e aumentar a eficiência das operações comerciais.
Brasil e Paraguai trabalham em projeto conjunto
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu a elaboração do projeto arquitetônico do complexo aduaneiro, incluindo os espaços destinados aos órgãos brasileiros e paraguaios.
Engenheiros dos dois países trabalham na finalização dos estudos e nas adequações necessárias para atender às exigências das autoridades de fiscalização.
O modelo previsto é o de cabeceira única, no qual os procedimentos de controle dos dois países serão realizados em uma mesma estrutura, evitando a necessidade de paradas e verificações em instalações separadas.
Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, a integração entre os países será fundamental para garantir o funcionamento do corredor.
“O avanço da Rota Bioceânica depende de uma atuação coordenada entre os países envolvidos. A ponte representa um passo importante, mas precisamos garantir que os acessos, a estrutura aduaneira e os procedimentos de fiscalização estejam preparados para atender ao fluxo de cargas e pessoas”, destacou.
Segundo o secretário, Mato Grosso do Sul trabalha para transformar a rota em uma alternativa logística competitiva, capaz de ampliar o acesso aos mercados internacionais e atrair novos investimentos.
Operação comercial deve começar somente em 2028
Embora a ponte internacional esteja em fase final de implantação, sua conclusão não significa que a Rota Bioceânica estará imediatamente preparada para receber o fluxo comercial de cargas.
A operação plena depende da entrega dos acessos rodoviários, da instalação da aduana integrada e da definição dos procedimentos de fiscalização entre Brasil e Paraguai.
Em setembro de 2026, a Receita Federal estimou que o início das operações comerciais em sua capacidade plena poderá ocorrer apenas em 2028, devido aos atrasos na infraestrutura brasileira de acesso e controle de fronteira.
O cronograma evidencia a necessidade de alinhar as obras e os sistemas de fiscalização para evitar que a ponte esteja concluída sem as condições necessárias para o funcionamento do transporte internacional.
Mato Grosso do Sul levará Plano Diretor a fórum internacional no Chile
A consolidação da Rota Bioceânica também será discutida durante o VIII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, programado para os dias 24 a 26 de novembro, nas cidades de Antofagasta e Mejillones, no Chile.
O encontro reunirá representantes dos governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Um dos principais destaques será a apresentação do relatório final do Plano Diretor de Integração e Desenvolvimento do Corredor Bioceânico de Capricórnio, elaborado com apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
De acordo com a coordenadora da Rota Bioceânica na Semadesc, Danniele Paiva, o documento estabelece diretrizes para fortalecer a integração entre os países, contemplando infraestrutura, logística, comércio exterior, segurança, turismo e desenvolvimento produtivo.
A programação também inclui reuniões técnicas, feira empresarial, rodadas de negócios e debates sobre segurança e infraestrutura ao longo do corredor.
Rota Bioceânica pode ampliar comércio com mercados internacionais
Considerada estratégica para Mato Grosso do Sul, a Rota Bioceânica pretende estabelecer uma ligação rodoviária entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Oceano Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile.
A expectativa é de que o corredor crie novas alternativas para o escoamento da produção brasileira, facilite o acesso a mercados internacionais e estimule investimentos em transporte, armazenagem, comércio e turismo.
Porto Murtinho deverá assumir papel importante nessa transformação, funcionando como ponto de conexão entre o Brasil e o Paraguai.
Além do transporte de mercadorias, a integração poderá beneficiar setores como hotelaria, alimentação, serviços e turismo regional, ampliando oportunidades econômicas nos municípios localizados ao longo do trajeto.
Para o Governo de Mato Grosso do Sul, a conclusão das obras e a articulação entre os quatro países serão decisivas para transformar a Rota Bioceânica em um corredor efetivo de desenvolvimento econômico e integração internacional.

