A operação comercial plena da Rota Bioceânica poderá começar em 2028, após a conclusão dos acessos rodoviários e da estrutura de fiscalização na fronteira entre Brasil e Paraguai. A estimativa foi apresentada pela Receita Federal em setembro de 2026 e considera os atrasos na infraestrutura brasileira necessária ao funcionamento do corredor internacional.
Em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, avançam as tratativas para implantar o Centro Integrado de Controle de Fronteira, que concentrará os procedimentos aduaneiros, migratórios, sanitários e de segurança dos dois países. O projeto arquitetônico está em elaboração, com participação de equipes técnicas brasileiras e paraguaias.
Segundo o cronograma informado pelo Governo do Paraguai, o acesso do lado paraguaio deverá ser liberado em fevereiro de 2027. Já a conclusão dos acessos brasileiros está prevista para 2027.
O centro será construído em território brasileiro, junto ao acesso rodoviário de 13,1 quilômetros que ligará a BR-267 à ponte internacional sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai.
Aduana integrada deve agilizar a passagem na fronteira
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu a elaboração do projeto arquitetônico dos dois lados do complexo, incluindo o espaço destinado aos órgãos paraguaios. Um grupo de trabalho formado por engenheiros dos dois países está finalizando estudos e adequações para atender às exigências das autoridades responsáveis pela fiscalização.
A proposta prevê uma estrutura de cabeceira única, na qual os órgãos brasileiros e paraguaios poderão realizar os procedimentos de controle no mesmo complexo. O objetivo é reduzir etapas burocráticas e dar mais eficiência à passagem de cargas e passageiros.
Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, a implantação do corredor depende da coordenação entre os países e da conclusão das obras de infraestrutura.
“A ponte representa um passo importante, mas precisamos garantir que os acessos, a estrutura aduaneira e os procedimentos de fiscalização estejam preparados para atender ao fluxo de cargas e pessoas”, afirmou.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) coordena o Comitê Estadual da Rota Bioceânica, responsável por articular órgãos públicos e entidades privadas envolvidos na implantação e no desenvolvimento do corredor.
Plano diretor será apresentado no Chile
A integração regional também estará em pauta no VIII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, previsto para 24 a 26 de novembro, nas cidades de Antofagasta e Mejillones, no Chile.
O encontro reunirá representantes do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para discutir infraestrutura, logística, comércio exterior, segurança, turismo e desenvolvimento produtivo.
Entre os destaques está a apresentação do relatório final do Plano Diretor de Integração e Desenvolvimento do Corredor Bioceânico de Capricórnio, elaborado com apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O documento reúne diretrizes para fortalecer a integração entre os territórios conectados pela rota.
A programação inclui reuniões de comissões temáticas, feira empresarial, rodada de negócios e painéis sobre logística, infraestrutura e cooperação regional.
Corredor busca ampliar comércio e investimentos
A Rota Bioceânica pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, criando uma alternativa logística para o transporte internacional de mercadorias. A consolidação do corredor, porém, depende não apenas da ponte internacional, mas também dos acessos rodoviários, da estrutura aduaneira e da integração dos procedimentos de fiscalização.
A conclusão dessas etapas será determinante para viabilizar a operação comercial plena e ampliar as oportunidades de comércio, turismo e investimentos entre os países participantes.

