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há 3 meses

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BR-163 terá duplicação de 25 km no anel viário de Campo Grande até 2030

Obras previstas no contrato de concessão buscam reduzir acidentes em um dos trechos mais críticos da rodovia em Mato Grosso do Sul

Conhecida há décadas pelo alto número de acidentes, a BR-163 em Mato Grosso do Sul passará por uma série de intervenções estruturais nos próximos anos. O plano inclui a duplicação de aproximadamente 25 quilômetros do anel viário de Campo Grande, com conclusão prevista até 2030.

As melhorias fazem parte da revisão do contrato de concessão da rodovia, que passou a vigorar integralmente em agosto de 2025 sob responsabilidade da concessionária Motiva Pantanal. A expectativa é reduzir riscos em um trecho que concentra parcela significativa dos acidentes registrados na estrada.

Alems

Tráfego intenso e alto índice de acidentes

Atualmente, cerca de 14 mil veículos utilizam diariamente os cerca de 25 quilômetros de pista simples que formam o anel rodoviário da capital sul-mato-grossense.

O trecho atravessa áreas urbanizadas, incluindo bairros populosos e condomínios residenciais, o que cria um cenário de convivência entre o tráfego pesado de longa distância e o fluxo local de veículos.

Dados da Polícia Rodoviária Federal indicam que, em 2024, foram registrados 866 acidentes graves ao longo dos aproximadamente 840 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul. Somente no anel viário de Campo Grande ocorreram 146 ocorrências.

No ano seguinte, em 2025, a rodovia contabilizou 781 acidentes no estado, sendo 128 nesse mesmo trecho — o equivalente a cerca de 16,4% do total.

Duplicação e novas intervenções

Apesar de existir um estudo que propõe retirar a rodovia do perímetro urbano, a solução adotada no momento prevê a duplicação do traçado atual.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres entende que ampliar os 24,3 quilômetros já existentes no anel viário será suficiente para atender à demanda prevista para o corredor logístico.

De acordo com o cronograma do Programa de Exploração Rodoviária (PER), a duplicação entre os quilômetros 466 e 490 deve ser concluída até o quinto ano da nova fase da concessão, em 2030. O projeto também prevê diversas melhorias estruturais ao longo do trecho.

Entre as principais intervenções estão:

  • duplicação completa do anel viário e ampliação de trecho adicional em direção a Jaraguari;

  • implantação de rotatórias alongadas em diversos pontos da rodovia;

  • construção de retornos em “U” e interseções com travessias em “X”;

  • modernização de trevos e construção de interseções em desnível;

  • implantação de vias marginais;

  • instalação de passarelas para pedestres;

  • construção e ampliação de obras de arte especiais, como viadutos e pontes.

Além disso, o contrato da chamada Rota da Celulose, firmado em fevereiro de 2026, prevê a construção de um viaduto no encontro da MS-040 com a BR-163 em Campo Grande, prevista para o quarto ano da concessão.

Investimentos já começaram

As primeiras intervenções já começaram. No primeiro ano da otimização contratual, entre 2025 e 2026, a concessionária destinou cerca de R$ 500 milhões para melhorias emergenciais em diferentes pontos da rodovia.

Os recursos incluem recuperação do pavimento, reforço da sinalização e intervenções no próprio anel viário da capital, especialmente entre os quilômetros 468 e 484. Também está prevista a duplicação inicial de 5,6 quilômetros em trechos considerados prioritários.

Ao longo de todo o período de concessão, o plano de investimentos estima a aplicação de aproximadamente R$ 16,5 bilhões. O objetivo é ampliar a infraestrutura da rodovia com mais 203 quilômetros de pistas duplicadas e quase 148 quilômetros de faixas adicionais.

Proposta alternativa para novo contorno

Paralelamente às obras previstas no contrato, existe um estudo elaborado pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano de Campo Grande que sugere a criação de um novo anel rodoviário fora do perímetro urbano.

A proposta prevê um contorno com 37,8 quilômetros de extensão — cerca de 12 quilômetros a mais que o atual — conectando as saídas para São Paulo e Cuiabá e passando pela BR-262, na ligação com Três Lagoas.

Segundo o estudo, o novo traçado ficaria aproximadamente oito quilômetros distante do anel atual e cerca de 3,5 quilômetros da área urbana de Campo Grande.

O projeto chegou a ser apresentado à antiga concessionária da rodovia e à ANTT, mas não foi incluído no acordo de repactuação contratual autorizado pelo Tribunal de Contas da União em novembro de 2024.

Manutenção do pavimento também está prevista

Enquanto as obras estruturais avançam no planejamento, intervenções de manutenção continuam sendo realizadas no trecho urbano da BR-163.

De acordo com a Motiva Pantanal, serviços de recuperação do pavimento devem ocorrer entre os quilômetros 466 e 490 da rodovia. Os trabalhos incluem fresagem e recomposição da pista.

Para reduzir o impacto no tráfego, as atividades são executadas durante a noite, geralmente entre 20h e 5h, com possibilidade de operação no sistema “pare e siga”, que alterna a liberação das faixas nos dois sentidos da estrada.

A expectativa das autoridades e da concessionária é que as melhorias tragam mais segurança e fluidez ao tráfego em um dos pontos mais movimentados e perigosos da BR-163 em Mato Grosso do Sul.

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