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Estado

há 4 meses

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Estradas em más condições causam perdas de R$ 230 milhões a transportadores em MS

Levantamento da CNT aponta aumento de quase 25% no custo operacional devido ao estado do pavimento

A precariedade das rodovias em Mato Grosso do Sul gerou prejuízo de R$ 229,86 milhões aos transportadores de carga no ano passado, segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT). O valor considera o consumo adicional de combustível provocado pelas falhas na malha viária.

De acordo com a entidade, 42,3% dos 4.739 quilômetros avaliados apresentaram problemas no pavimento, o que resultou em gasto extra de 38,8 milhões de litros de diesel. O desperdício elevou em 24,8% o custo operacional das empresas de transporte no Estado e gerou a emissão de 101,07 mil toneladas de gases de efeito estufa.

Alems

Avaliação das rodovias

O levantamento integra a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, realizada há três décadas. No Estado, apenas 11,2% dos trechos analisados foram classificados como ótimos, enquanto 47,1% receberam avaliação de bom. Outros 40,6% foram considerados regulares, 0,9% ruins e 0,2% péssimos, com quatro pontos críticos identificados.

Além das falhas no pavimento, a CNT apontou que 41,7% da extensão possui algum tipo de problema estrutural; 12,2% carecem de sinalização adequada; e 43,4% apresentam deficiência na geometria da via. A ausência de acostamento foi verificada em 38,9% dos trechos, e 36,1% das curvas perigosas não têm sinalização. As pistas simples predominam em 95,5% da malha.

Segundo o documento, “estima-se que houve um consumo excessivo de 38,8 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no Estado. Esse desperdício gerou um prejuízo R$ 229,86 milhões aos transportadores e uma emissão de 101,07 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. Isso representa uma elevação de 24,8% no custo operacional, que se reflete na competitividade do Brasil e no preço dos produtos”.

O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, afirmou que “esta edição [da pesquisa] reforça uma mensagem essencial: aplicar recursos de forma planejada gera resultados concretos. O levantamento já aponta avanços, ainda que modestos, provenientes dos investimentos recentes realizados em diferentes níveis de governo. A CNT reconhece esses esforços e o comprometimento do poder público e da iniciativa privada em ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira”.

Ele acrescentou que “mesmo assim, os dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer e que a ampliação dos aportes destinados ao setor é fundamental para que o país alcance o padrão de infraestrutura que sua economia e sua população requerem”, enfatizando que “a melhoria das rodovias demanda planejamento de longo prazo, continuidade das políticas públicas e compromisso conjunto entre governo e entes privados. Somente com investimentos consistentes e permanentes será possível garantir segurança, eficiência logística e competitividade ao transporte brasileiro”.

Investimentos e segurança

Do total de R$ 389,46 milhões autorizados pelo governo federal para infraestrutura rodoviária no Estado em 2025, R$ 224,82 milhões haviam sido aplicados até novembro, o equivalente a 57,7%. A CNT estima que seriam necessários R$ 4,44 bilhões para recuperação e manutenção adequada das rodovias sul-mato-grossenses.

Além dos impactos financeiros, as condições das estradas também influenciam na segurança. Entre janeiro e dezembro do ano passado, foram registrados 1.653 acidentes em rodovias federais no Estado, com 150 mortes — média de nove óbitos a cada 100 ocorrências.

Comparação nacional

Em âmbito nacional, a CNT comparou os resultados entre rodovias concedidas à iniciativa privada e aquelas sob administração pública. Nas concedidas, 65,6% da malha foi classificada como ótima ou boa. Já nas vias públicas, esse índice caiu para 35,6%.

Enquanto apenas 7,5% das rodovias concedidas estão em estado ruim ou péssimo, nas administradas pelo poder público esse percentual chega a 23,7%, além de mais de 40% serem consideradas regulares.

Segundo o estudo, “não apenas demonstram a necessidade de aumentar e manter os investimentos nas rodovias, tanto públicos quanto privados, mas também sugerem a expansão de modelos de gestão mais eficientes para reverter o cenário de deterioração da malha rodoviária pública – e, consequentemente, reduzir os custos logísticos do País – e aprimorar a qualidade do pavimento das rodovias concedidas”.

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