A greve dos motoristas do Consórcio Guaicurus deixou mais de 100 mil pessoas sem transporte coletivo em Campo Grande na madrugada desta segunda-feira (15). A paralisação ocorreu após o atraso no pagamento de salários, do 13º salário e de benefícios trabalhistas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano da Capital (STTCU-CG).
Com o início do movimento, os cinco terminais de ônibus e os pontos de integração entre linhas amanheceram fechados. Nenhum veículo saiu das garagens, e a cidade começou o dia sem transporte público. Em diversos bairros, pontos ficaram lotados e moradores relataram preocupação e dificuldades para chegar ao trabalho, escolas e compromissos médicos.
O indicativo de greve havia sido aprovado em assembleia realizada na última quinta-feira (11). Desde a madrugada, os motoristas permanecem concentrados na garagem da empresa, portando cartazes e impedindo a saída dos ônibus. Até o momento, não há previsão para o encerramento da greve nem para a normalização do serviço.
De acordo com o sindicato, o salário de novembro e o 13º salário ainda não foram pagos integralmente. Procurado, o Consórcio Guaicurus afirmou que enfrenta uma crise financeira, atribuída à falta de repasses do poder público, como subsídios e valores do vale-transporte, o que teria comprometido o equilíbrio econômico do contrato de concessão.
A empresa informou ainda que efetuou apenas 50% do salário de novembro, e que o pagamento do restante, assim como do adiantamento de dezembro e da segunda parcela do 13º, depende da regularização desses repasses, que somariam mais de R$ 39 milhões desde 2022.
Já a Prefeitura de Campo Grande afirmou, em nota, que está em dia com os pagamentos ao consórcio e que o repasse referente ao mês de novembro segue o cronograma estabelecido. O município também declarou que não foi informado previamente sobre a paralisação e que o movimento pode estar sujeito a sanções contratuais.
O impasse entre trabalhadores, empresa e poder público se soma a outros episódios recentes de protesto. Em outubro, motoristas atrasaram a saída dos ônibus em cerca de uma hora, o que também gerou transtornos aos passageiros. Desta vez, porém, a paralisação é total e segue sem previsão de solução.


