Em uma propriedade rural de 4,5 hectares, Aginaldo e Isabel cultivam maracujá, pepino japonês, berinjela e vagem. Com acompanhamento técnico da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), o casal diversificou a produção e encontrou uma nova forma de comercializar os alimentos em Campo Grande, com vendas diretas aos consumidores.
A mudança ocorreu após dificuldades no cultivo de abacaxi da variedade Pérola. Na época, os agricultores chegaram a manter cerca de 20 mil pés da fruta, mas parte da lavoura foi prejudicada por doenças. Diante das perdas, buscaram alternativas e passaram a investir em outras culturas, entre elas o maracujá, que hoje está entre os principais projetos de Aginaldo.
Técnicos da Agraer acompanham a propriedade e orientam o casal sobre plantio, manejo e cuidados para manter as plantas saudáveis e melhorar o desenvolvimento das lavouras.
Segundo o coordenador regional da Agraer em Campo Grande, Agoncílio Correia Barbosa, as visitas ajudam a adaptar as orientações às necessidades de cada produtor e incentivam a diversificação agrícola.
“A importância de estar presente é dar continuidade ao serviço, orientar o produtor sobre o manejo correto das culturas e incentivar a diversificação, para que ele tenha melhores condições de alcançar bons resultados na produção”, explica.
Venda direta ajuda a conquistar clientela
Além de superar os desafios no campo, Aginaldo e Isabel precisaram encontrar alternativas para vender os alimentos. Antes, a produção era comercializada por meio de intermediários. Com orientação e acesso ao Centro de Comercialização da Agricultura Familiar (Cecaf), na Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa), o casal passou a negociar diretamente com os clientes.
Atualmente, os produtores levam os alimentos ao local às segundas e quintas-feiras. A venda direta permitiu construir uma clientela fixa e negociar a própria produção.
“Antes, a gente vendia para os atravessadores. Não éramos nós que íamos vender diretamente no Cecaf. Agora somos nós que fazemos a venda, temos clientes fixos e conseguimos vender tudo”, conta Isabel.
A coordenadora do Cecaf, Tânia Regina Mello Minussi, destaca que o acesso ao mercado é essencial para que os agricultores familiares consigam comercializar o que produzem.
“Não adianta só produzir e, na hora de vender, não ter para quem vender ou precisar entregar a produção a um preço abaixo do mercado para um atravessador”, afirma.
Segundo Tânia, a trajetória do casal representa o objetivo do centro, criado para incentivar a agricultura familiar e oferecer aos produtores um espaço de comercialização direta.
“Ele é o exemplo perfeito do porquê o Cecaf foi criado: para incentivar o agricultor familiar a produzir e ter onde comercializar”, diz.
A experiência de Aginaldo e Isabel mostra como o acompanhamento técnico e o acesso a canais de venda podem atuar em conjunto. Enquanto a orientação da Agraer auxilia na diversificação e no manejo das lavouras, o Cecaf oferece uma alternativa para aproximar os produtores dos consumidores.

