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Rural

há 7 horas

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Renegociação de dívidas rurais avança, mas produtores ainda enfrentam dificuldades para acessar crédito

Portaria do Ministério da Fazenda autoriza equalização de juros, mas entidades do agronegócio cobram mais prazo para que bancos consigam operacionalizar as novas linhas

 

A renegociação de dívidas rurais avançou com a publicação de uma portaria do Ministério da Fazenda que autoriza a equalização das taxas de juros nas novas operações destinadas aos produtores. Apesar do avanço na regulamentação, o setor do agronegócio alerta que os recursos ainda não estão chegando de forma efetiva a quem precisa renegociar os débitos.

A medida foi publicada após a regulamentação da Medida Provisória 1.376/2026 e permite que instituições financeiras habilitadas avancem na implementação das operações. A portaria atende a uma das principais reivindicações apresentadas por entidades do setor, que cobravam do governo federal a regulamentação necessária para colocar o programa em funcionamento.

Agora, porém, o principal desafio está na execução das medidas pelos bancos. Segundo representantes do agronegócio, produtores ainda encontram dificuldades para apresentar os pedidos e acessar as condições previstas para a renegociação.

Setor cobra mais prazo

A presidente-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, afirma que a regulamentação representa um avanço, mas alerta para o prazo previsto para a suspensão das dívidas.

Segundo ela, o período de 30 dias estabelecido pela medida provisória terminou antes que as instituições financeiras estivessem plenamente preparadas para receber as operações.

A OCB mantém diálogo com o Ministério da Fazenda para solicitar a prorrogação do prazo. A avaliação é de que a extensão permitiria aos bancos adaptar seus sistemas e receber os pedidos sem prejudicar produtores que ainda aguardam a operacionalização das linhas.

“Agora também ela tem sido mantida em virtude ainda de que o produtor não está conseguindo acessar essa proposta de renegociação”, afirmou Zanella.

As entidades também orientam produtores a informar às organizações representativas eventuais dificuldades encontradas junto às instituições financeiras. O objetivo é identificar os principais obstáculos e levar as demandas ao governo federal.

Dez instituições estão habilitadas

A regulamentação autorizou dez instituições financeiras a operar as linhas de renegociação de dívidas rurais. A relação inclui bancos e sistemas cooperativos de crédito.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ficou fora da lista. Para a OCB, a instituição possui importância estratégica e ampla capilaridade no financiamento do setor, embora a entidade afirme respeitar a decisão.

A expectativa é que o tema possa voltar a ser discutido em futuras iniciativas relacionadas ao crédito rural.

Critérios podem limitar alcance

Além da dificuldade operacional, o setor também demonstra preocupação com os critérios de acesso às linhas.

O consultor jurídico Thiago Rocha avalia que a publicação da portaria preencheu uma lacuna importante na regulamentação, mas considera elevado o número de exigências para que os produtores sejam considerados elegíveis.

Outro ponto de atenção é o volume de recursos disponibilizado. Segundo o especialista, o crédito direcionado à iniciativa representa apenas uma parcela da carteira considerada problemática no crédito rural brasileiro.

Na avaliação dele, a combinação entre critérios restritivos, recursos limitados e dificuldades operacionais pode reduzir o alcance da renegociação.

Com a regulamentação publicada, a próxima etapa será acompanhar a implementação das linhas pelas instituições financeiras. A capacidade dos bancos de processar os pedidos e dos produtores de atender às exigências será determinante para definir o alcance efetivo do programa de renegociação de dívidas rurais.

 

 

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