Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul no primeiro turno, neste domingo (4), com 914.323 votos, equivalentes a 67,07% dos votos válidos. O novo mandato, de 2027 a 2030, terá entre os desafios conciliar a expansão econômica com a demanda por saúde, educação, moradia e infraestrutura.
Após a confirmação da vitória, Riedel destacou que o crescimento do estado deve se refletir na qualidade de vida da população.
“Esse é o objetivo final da política pública: que a gente consiga dar dignidade, dar condição para as pessoas terem uma vida melhor”, afirmou.
Em entrevista à TV Morena concedida nesta segunda-feira (5), Riedel apresentou prioridades para os próximos quatro anos. O governador afirmou que pretende manter os investimentos, rever a estrutura administrativa e ampliar a eficiência dos gastos públicos.
Crescimento exige serviços e trabalhadores qualificados
A expansão do agronegócio e da indústria, especialmente do setor de celulose, tem aumentado a necessidade de profissionais qualificados e pressionado os serviços públicos nos municípios que recebem grandes empreendimentos.
Cidades como Ribas do Rio Pardo e Inocência enfrentam aumento da procura por atendimento de saúde, vagas nas escolas e moradia. Nesse cenário, um dos desafios do governo estadual será apoiar os municípios para que a infraestrutura acompanhe a chegada de novos moradores.
Riedel apontou a educação como prioridade, com ampliação do ensino em tempo integral e da formação profissional. A proposta é preparar trabalhadores para as novas demandas da economia estadual.
Rodovias e Rota da Celulose
Na infraestrutura, o governador defendeu investimentos para ampliar a capacidade das rodovias e melhorar o escoamento da produção. Segundo ele, cerca de 170 milhões de toneladas de cargas foram transportadas pelo estado nos últimos dois anos, principalmente pelas estradas.
A Rota da Celulose está entre os projetos para atender ao crescimento do transporte de cargas. Além da logística, o avanço das obras deverá responder à necessidade de segurança para quem utiliza as rodovias.
Riedel também citou projetos de duplicação em trechos da BR-262 e da BR-060. Parte dessas intervenções depende de articulação com o governo federal e com concessionárias.
Rota Bioceânica tem acessos previstos para 2027
A conclusão da estrutura necessária ao funcionamento da Rota Bioceânica será outra prioridade do novo mandato.
Na entrevista, Riedel afirmou que a ponte internacional entre Porto Murtinho e o Paraguai segue com previsão de conclusão em 2026. Os acessos pelo lado brasileiro, porém, sofreram atraso e têm expectativa de entrega em 2027.
O governador também defendeu o avanço de projetos ferroviários e investimentos na hidrovia do Paraguai, incluindo dragagem, para ampliar as alternativas ao transporte rodoviário.
Saúde e redução das filas
Na saúde, o desafio será ampliar a capacidade de atendimento e reduzir a espera por consultas, exames e cirurgias, com atuação integrada entre Estado e municípios.
Riedel afirmou que pretende dar continuidade aos investimentos na área e revisar a estrutura administrativa para melhorar o uso dos recursos.
A demanda cresce especialmente nas regiões que recebem novos empreendimentos e trabalhadores, o que exige planejamento para que a rede pública acompanhe as mudanças populacionais.
Fiscalização e combate à corrupção
O governador afirmou que não vai tolerar corrupção e que pretende reforçar mecanismos de controle, como a Controladoria-Geral e as corregedorias, além da atuação conjunta com o Ministério Público e o Gaeco.
Investigações como as operações Antidotum, sobre suspeitas de desvios na Santa Casa de Campo Grande, e Gutenberg, que apura suspeitas de fraudes em contratos públicos, reforçam a necessidade de fiscalização e transparência. As acusações devem ser analisadas pela Justiça, com garantia do direito de defesa.
Investimentos e equilíbrio das contas
Riedel também terá de conciliar o volume de projetos com as condições financeiras do Estado. Na entrevista, citou o contingenciamento provocado pela queda de receitas e mudanças na arrecadação relacionada ao gás, mas afirmou que Mato Grosso do Sul mantém capacidade de investimento.

