O ex-assessor especial de Jair Bolsonaro e coronel da reserva do Exército, Marcelo Costa Câmara, está avaliando a possibilidade de fechar um acordo de delação premiada no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Desde sua prisão preventiva durante a operação Tempo da Verdade, Câmara enfrenta acusações que variam desde tentativa de golpe de Estado até o suposto desaparecimento de vendas de joias do acervo presidencial durante o governo Bolsonaro.
O advogado Eduardo Kuntz, representante legal de Câmara, afirmou à CNN que seu cliente está receptivo a considerar propostas de colaboração e está aguardando uma nova oportunidade para prestar esclarecimentos, caso haja interesse das autoridades policiais, membros do Ministério Público ou do ministro relator do Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações obtidas junto a fontes ligadas à investigação, a iniciativa para a delação premiada deverá partir da própria defesa de Câmara, e qualquer eventual acordo será avaliado somente se houver informações substanciais a serem adicionadas ao que já foi fornecido às autoridades.
Câmara foi convocado para prestar depoimento em conjunto com outros investigados, incluindo Tércio Arnaud Thomaz, que também é representado pelo mesmo advogado. No entanto, devido à presença de Thomaz, Kuntz não acompanhou pessoalmente o depoimento de Câmara. A defesa já solicitou uma nova data para o interrogatório, porém ainda aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal.
Os advogados argumentam que Câmara não teve a oportunidade adequada de se defender durante o interrogatório anterior, alegando que ele foi coagido a permanecer em silêncio. No entanto, ressaltam que o militar está disposto a colaborar com as investigações e esclarecer todos os fatos relevantes.
De acordo com as investigações, Câmara, coronel do Exército da reserva, possui experiência nas Forças Especiais e atuou como Assessor Especial da Presidência da República sob Bolsonaro. Ele é descrito como um dos assessores mais próximos do ex-presidente, sendo responsável por um núcleo de inteligência não oficial e pela coleta de informações estratégicas para Bolsonaro.
Além disso, foram interceptadas mensagens entre Câmara e Mauro Cid que sugerem trocas de informações sobre viagens do ministro Alexandre de Moraes. A decisão do ministro Alexandre de Moraes autorizando a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado destacou o papel de Câmara na coleta de informações sensíveis para Bolsonaro.
As investigações continuam em andamento, enquanto o destino de Marcelo Costa Câmara e os possíveis desdobramentos de uma delação premiada permanecem como pontos centrais de interesse neste caso em constante evolução.

