O início do ano legislativo foi marcado por um embate cada vez mais acirrado entre o governo e o Congresso pela gestão do Orçamento, em um contexto influenciado pela proximidade das eleições municipais.
Arthur Lira, presidente da Câmara, fez um discurso contundente, ressaltando que o Orçamento não deve ser exclusivamente controlado pelo Executivo, defendendo o direito dos parlamentares de determinar a alocação dos recursos federais, em vez de apenas ratificá-los.
Esta disputa assume uma relevância ainda maior devido às eleições iminentes, já que as emendas parlamentares direcionam verbas para projetos eleitorais de deputados e senadores, possibilitando a conquista de apoio nas bases eleitorais.
Entretanto, de acordo com as normas eleitorais, a liberação das emendas está restrita até julho, três meses antes das eleições marcadas para 6 de outubro, o que coloca pressão sobre Lira para agilizar o processo.
Como líder do Centrão, um grupo político influente, Lira desempenha um papel crucial, despertando preocupações no Palácio do Planalto de que as emendas possam ser direcionadas majoritariamente para aliados desse bloco.
Por sua vez, o governo busca investir em obras que possam ser associadas à gestão do ex-presidente Lula, visando favorecer a eleição de aliados do Partido dos Trabalhadores (PT).
A defesa veemente das prerrogativas parlamentares sobre o Orçamento por parte de Lira é interpretada por aliados como um respaldo aos acordos estabelecidos com o governo, especialmente em relação às emendas parlamentares.
Apesar do Congresso ter aprovado um cronograma para a liberação desses recursos pelo Executivo, o presidente Lula vetou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), provocando descontentamento entre os parlamentares.
A destinação recorde de R$ 53 bilhões para emendas parlamentares em 2024 foi parcialmente vetada pelo Palácio do Planalto, desencadeando críticas por parte de membros do Legislativo.
As tensões entre Lira e o governo se intensificaram a ponto de adiar uma reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e líderes partidários da Câmara, refletindo a necessidade de uma articulação política mais eficaz por parte do governo.
As ações do governo, como o veto parcial às emendas parlamentares e o envio de uma medida provisória contrária às decisões do Congresso, contribuíram para aumentar as tensões entre os poderes Executivo e Legislativo, antecipando um ano legislativo desafiador para o Palácio do Planalto.

