O senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR) e o ex-procurador e deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR) expressaram críticas irônicas à indicação do ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski ao Ministério da Justiça do presidente Lula (PT).
Ambos compararam a nomeação ao cargo à declaração de parcialidade de Moro na condução de casos contra Lula, que resultou na anulação das provas coletadas nos processos da Operação Lava Jato.
Nas redes sociais, Moro afirmou que aceitar cargos em ministérios "não é e nunca deveria ter sido causa de suspeição". Por sua vez, Dallagnol mencionou uma série de decisões que beneficiaram Lula e o PT, questionando se as ações do novo ministro resultariam na anulação dessas decisões.
Dallagnol destacou casos julgados por Lewandowski no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, segundo ele, serviram de base para decisões favoráveis a Lula durante a corrida eleitoral. Ele questionou se a parcialidade do ministro em relação a Lula e ao PT seria reconhecida agora que ele assumiu o Ministério da Justiça.
A parcialidade de Moro foi decidida pelo STF por 3 votos a 2 na Segunda Turma, sendo Lewandowski um dos votos a favor, ao lado de Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Na ocasião, Lewandowski destacou a aceitação do convite para o cargo de Ministro da Justiça antes do término do segundo turno das eleições presidenciais como evidência de motivação política.
Durante seus 17 anos no STF, Lewandowski decidiu favoravelmente aos aliados de Lula em casos como o mensalão e a Lava Jato. O ministro, considerado um progressista moderado, obteve boa relação inclusive entre bolsonaristas. Sua aposentadoria em abril passado, um mês antes de completar 75 anos, o tornou apto a ser considerado ministro na atual gestão petista. ( Com nf da FOLHAPRESS)

