Nesta quarta-feira (20), organizações de esquerda e sindicalistas na Argentina planejam o primeiro protesto contra o presidente Javier Milei. Em resposta, o governo do novo presidente emitiu um decreto para evitar a obstrução de ruas e ameaça cortar benefícios sociais daqueles envolvidos em piquetes durante as manifestações.
A concentração está marcada para as 10h, com o principal ato, uma caminhada da região do prédio do Congresso até a Praça de Maio, prevista para as 16h. Os movimentos de esquerda protestam contra as medidas de contenção de gastos implementadas nos primeiros dias do governo Milei, incluindo a redução de subsídios para energia e transporte público, além da suspensão de obras públicas.
Diversos grupos, como o Movimento Evita alinhado ao kirchnerismo e o Polo Trabalhador, estão envolvidos na organização do protesto, refletindo diferentes correntes políticas. Milei, durante sua campanha, prometeu auditar organizações que distribuem benefícios do governo, como forma de restringir seu poder de mobilização.
O governo abriu uma linha telefônica para denúncias, recebendo 4.310 até a tarde de terça-feira. O presidente afirmou que apenas aqueles que interromperem o trânsito ou agirem com violência perderão benefícios sociais.
As forças de segurança federais foram instruídas a liberar as vias públicas usando "a mínima força necessária e suficiente". O uso de câmeras e drones para identificar manifestantes que fecharem vias também foi anunciado pela ministra de Segurança, Patricia Bullrich.
Os movimentos que organizaram a manifestação afirmam que os atos estão mantidos, apesar das medidas do governo. O líder do Polo Trabalhador, Eduardo Belliboni, critica as ameaças aos trabalhadores desocupados e acusa o governo de atacar os manifestantes.
O Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel assinou um pedido de habeas corpus coletivo, argumentando que as medidas do governo ameaçam ilegalmente a liberdade de ir e vir e a integridade física dos manifestantes.
Enquanto a cidade de Buenos Aires se prepara para as manifestações, autoridades municipais expressam preocupação com propostas como gravação em vídeo para identificar manifestantes. A região metropolitana, governada por Axel Kicillof, um kirchnerista, rejeitou seguir o protocolo do governo federal.

