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Política

há 3 anos

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Lula vê popularidade cair com a omissão no conflito Israel X Hamas

Posição ambígua abala popularidade do presidente e gera controvérsia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra-se no centro de uma crescente controvérsia devido à sua postura ambígua em relação ao conflito entre Israel e a organização Hamas. A neutralidade declarada pelo líder brasileiro, que condena os ataques, mas não rotula o Hamas como organização terrorista, está gerando questionamentos e rachas até mesmo entre seus aliados.

Uma pesquisa conduzida pela AP Exata Inteligência Digital e publicada no jornal "O Estado de S. Paulo" indica que essa posição controversa, em um cenário de guerra com mais de 3.700 vítimas, incluindo atrocidades que envolvem bebês e crianças, estupros e torturas, tem impactado negativamente a avaliação do governo. Desde o início do conflito, a porcentagem de pessoas que classificam o governo como "bom/ótimo" caiu 0,6%, enquanto a porcentagem de pessoas que o veem como "ruim/péssimo" aumentou 0,7%.

Segundo os dados da pesquisa, 40,8% dos entrevistados aprovam o governo, 33,9% o reprovam, e 25,3% têm uma visão "regular". A pesquisa, baseada em análise de dados e sentimentos expressos nas redes sociais, envolveu a consulta de 78 mil tuítes no período de 7 a 12 de outubro.

A postura do governo brasileiro é fundamentada na ideia de que a classificação do Hamas como organização terrorista é uma competência da ONU, e não do Brasil. Em uma nota oficial emitida na quinta-feira, o governo reafirmou essa posição: "No tocante à qualificação de entidades como terroristas, o Brasil aplica as determinações feitas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, órgão encarregado de zelar pela paz e segurança internacionais. Estão incluídos o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, além de grupos menos conhecidos do grande público."

Essa abordagem tem enfrentado críticas de diversos setores. O embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, demonstrou surpresa com a maneira como o governo brasileiro tem lidado com discursos antissemitas e pró-Hamas, argumentando que as ações do Hamas, como ataques a civis, estupros, decapitações e queima de propriedades, deveriam ser consideradas atos terroristas.

A situação piorou com as declarações de José Genoino, ex-deputado do PT, que defendeu o direito do Hamas à resistência e afirmou que esse direito não pode ser conceituado como terrorismo. Essas declarações geraram mais controvérsia em torno da posição do governo brasileiro.

Em 2021, ministros do governo de Lula, juntamente com membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e entidades aliadas, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), também se manifestaram contra a classificação do Hamas como organização terrorista. A polarização e as divergências sobre o tema continuam a ser um ponto central de debate no Brasil e no cenário internacional, enquanto o governo busca equilibrar suas relações internacionais e sua política externa em meio a um conflito altamente sensível.

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