Nesta sexta-feira (22), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tomou uma decisão significativa, abrindo um processo disciplinar contra o ex-juiz da Operação Lava Jato e atual senador Sergio Moro (Pode-PR). O corregedor nacional de Justiça, ministro Luís Felipe Salomão, baseou sua decisão na conclusão parcial do relatório do CNJ, que apontou uma "gestão caótica" dos valores provenientes de acordos de delação e leniência firmados durante a operação.
Além de Sergio Moro, outros nomes de destaque na operação também estão sob investigação. Entre eles, a juíza Gabriela Hardt, que atuou como substituta de Moro na 13ª Vara Federal em Curitiba, e os desembargadores Loraci Flores de Lima, João Pedro Gebran Neto e Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, que representa a segunda instância da Lava Jato.
O CNJ informou que o processo buscará esclarecer a suposta violação do dever de transparência por parte de Moro e Gabriela, relacionada a decisões que autorizaram o repasse de aproximadamente R$ 2 bilhões à Petrobras, entre 2015 e 2019, sem seguir o devido processo legal. A investigação também se concentrará em avaliar se Moro agiu na magistratura com "fins partidários".
No que diz respeito à investigação envolvendo os desembargadores do TRF4, o CNJ pretende apurar indícios de "demora na prestação jurisdicional" relacionados ao julgamento de um recurso da Petrobras, que envolvia o repasse de R$ 43 milhões para o fundo penitenciário e ao Tesouro Nacional. Segundo o CNJ, o processo foi protocolado no TRF4 em abril de 2022 e permaneceu parado por 152 dias no gabinete de Gebran Neto e outros 227 dias sob a responsabilidade de Marcelo Malucelli. Atualmente, o recurso está aguardando movimentação no gabinete de Loraci Flores, "sem impulso oficial".
Em resposta à abertura da investigação, Sergio Moro expressou sua opinião por meio das redes sociais, afirmando: "No fantástico mundo da Corregedoria do CNJ, recuperar dinheiro roubado dos bandidos e devolver à vítima (Petrobras) é crime. Só mesmo no Governo Lula."
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) optou por não comentar o assunto quando procurado pela Agência Brasil.

