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há 9 horas

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Operação Livia: Celulares revelam novos suspeitos e esquema de “escravidão digital”

Investigação avançou após análise de celulares e computadores apreendidos na primeira fase da operação, deflagrada em agosto

A análise de celulares, computadores e outros equipamentos apreendidos pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul revelou comunidades virtuais nas quais crianças e adolescentes eram submetidos a ameaças e chantagens para cumprir ordens dos integrantes. Segundo os investigadores, essa dinâmica de controle e coerção é classificada como “escravidão digital” e levou à identificação de novos suspeitos na Operação Lívia.

A segunda fase da operação foi deflagrada nesta terça-feira (15) e cumpre seis mandados de busca domiciliar em Mato Grosso do Sul, além de seis medidas cautelares contra adolescentes. A ofensiva conta com apoio do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas) do Ministério da Justiça e das polícias civis da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e do Distrito Federal.

Segundo os investigadores, as comunidades eram utilizadas para abordar vítimas em situação de vulnerabilidade. Entre as ordens impostas nos grupos estavam práticas de violência, misoginia, maus-tratos a animais e automutilação.

A Operação Lívia teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, que, segundo as investigações, tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord após sofrer pressões, chantagens e ameaças de integrantes de comunidades virtuais.

A primeira fase da operação foi realizada em 4 de agosto e cumpriu sete mandados em diferentes pontos do país. A partir do material apreendido naquela etapa, os investigadores avançaram na identificação de pessoas que atuavam como administradores e moderadores dos grupos.

O caso também provocou cobranças das autoridades brasileiras ao Discord sobre mecanismos de verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) abriu um processo de fiscalização sobre a plataforma.

Em nota, o Discord afirmou manter sistemas para prevenir exploração e aliciamento e disse utilizar tecnologia para remover conteúdos que violam suas diretrizes. A empresa também declarou que desativou um servidor privado relacionado a atividades criminosas e que segue colaborando com as autoridades brasileiras.

Além das medidas cumpridas nesta terça-feira, a Polícia Civil busca identificar possíveis novas vítimas e encaminhá-las à rede de proteção social e de saúde.

As autoridades orientam pais e responsáveis a acompanhar o acesso de crianças e adolescentes a fóruns, comunidades e grupos fechados em aplicativos de mensagen

 

** Com informações de Folha S. Paulo

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