A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outros cinco investigados na Operação Antidotum continuam presos preventivamente após passarem por audiência de custódia neste fim de semana. A operação investiga suspeitas de fraudes e desvios em contratos ligados ao hospital e à operadora Santa Casa Saúde.
A defesa de Alir nega que ela tenha cometido qualquer irregularidade. Segundo o advogado Murilo Marques, a presidente está tranquila, mas “indignada” com as acusações e com a prisão. A equipe jurídica prepara um pedido de revogação da preventiva.
Além de Alir, permanecem presos Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor adjunto de Finanças; Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística; e o empresário Mauricio Aparecido Benites.
Operação apura prejuízo de R$ 4,9 milhões
A Operação Antidotum foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com participação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia.
Uma das frentes da investigação envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos, que previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o Ministério Público, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano do contrato.
Outra frente apura contratos da Operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Conforme a investigação, somente em 2025 foram pagos aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. O prejuízo estimado nesse núcleo é de pelo menos R$ 3,5 milhões. Somadas as duas frentes, o prejuízo calculado até agora chega a R$ 4,9 milhões, valor que ainda pode ser revisto durante a investigação.
Defesa vai pedir liberdade
A audiência de custódia não analisou se Alir e os demais investigados cometeram os crimes apontados na investigação. O procedimento verifica as circunstâncias e a legalidade das prisões. Como os mandados já eram de prisão preventiva, os investigados permanecerão presos até eventual nova decisão judicial.
A defesa de Alir informou que teve acesso aos autos e trabalha na apresentação de esclarecimentos e no pedido de revogação da prisão preventiva.
As prisões são cautelares e não representam condenação.
Hospital mantém atendimentos
Mesmo com integrantes da direção presos, a Santa Casa informou que os atendimentos à população continuam normalmente. Com a prisão de Alir, o comando da instituição passou ao vice-presidente Heitor Miguel Scheibeler.
O caso segue sob investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

