A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, nesta terça-feira (4), a Operação Lívia, que resultou na apreensão de cinco adolescentes e no cumprimento de um mandado de prisão preventiva contra um adulto suspeitos de integrar um grupo criminoso investigado por induzir uma adolescente de 13 anos ao suicídio durante uma transmissão ao vivo em uma plataforma digital. A operação ocorreu simultaneamente em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro, após a morte da vítima, registrada em julho, em Naviraí.
Segundo as investigações, a adolescente foi coagida, ameaçada e submetida a intensa violência psicológica por integrantes do grupo em ambientes virtuais. O caso ganhou repercussão nacional após a morte da jovem ser transmitida ao vivo em uma plataforma digital, enquanto participantes acompanhavam e, conforme a apuração policial, incentivavam a continuidade das agressões contra a vítima.
Batizada de Operação Lívia, a ação é coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além das polícias civis dos estados envolvidos. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, cinco mandados de internação de adolescentes e um mandado de prisão preventiva.
As investigações apontam que o grupo atuava de forma organizada por meio de plataformas como Discord e Telegram, recrutando crianças e adolescentes para desafios extremos, automutilação, violência psicológica e outros crimes praticados no ambiente virtual. Os investigadores também apuram a possível participação da organização na disseminação de discursos de ódio e na existência de outras vítimas em diferentes estados brasileiros.
Durante coletiva de imprensa, representantes do Ministério da Justiça informaram que será solicitado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a apuração sobre a atuação das plataformas digitais utilizadas pelos investigados, diante dos indícios de que os aplicativos serviam para recrutamento, comunicação entre os integrantes e prática dos crimes.
O material apreendido durante a operação passará por perícia e poderá auxiliar na identificação de novos envolvidos e de outras possíveis vítimas da organização criminosa. As investigações seguem sob sigilo.


