A mulher de 26 anos que confessou à Polícia Civil ter planejado a ação que resultou na morte dos próprios pais, em Anastácio, afirmou que a intenção inicial era apenas intimidá-los. O caso, que segue em investigação, ganhou novos desdobramentos após a identificação de outros envolvidos e de crimes relacionados.
Segundo apuração policial, Maria de Fátima Luzini admitiu ter contratado dois homens para executar o plano. No entanto, a ação terminou com o assassinato a facadas do casal, dentro da residência onde viviam.
Crimes interligados
Os homicídios ocorreram entre quinta-feira e sábado, mobilizando as forças de segurança do município. As vítimas foram Maria Clair Luzini e Vilson Fernandes Cabral, encontrados mortos cerca de 48 horas após o crime.
Inicialmente, a polícia considerou a hipótese de feminicídio seguido de suicídio, mas essa linha foi descartada após a análise da cena.
“Normalmente se levanta quando tem uma mulher para dentro do local que pudesse ser um feminicídio seguido de suicídio, o que logo foi descartado, pois ambos os corpos estavam com golpes de faca”, pontua a delegada Tatiana Zyngier e Silva, responsável pelo caso.
No dia seguinte à descoberta do crime, outro homem, identificado como David Vareiro Machado, foi encontrado morto. Ele era suspeito de participação na execução do casal.
Investigação e motivação
De acordo com a delegada, a morte de David estaria ligada a um desentendimento envolvendo pagamento pelo crime. “uma briga por valores em razão de um serviço prestado”, explicou, referindo-se à execução dos pais da investigada.
As investigações apontaram ainda que o companheiro de Maria de Fátima, Wendebrson Haly Matos da Silva, teria matado David após o conflito.
A participação da filha passou a ser considerada após inconsistências em seu primeiro depoimento. Em nova oitiva, ela confessou o envolvimento e detalhou o plano.
“Quando a gente ouviu inicialmente a filha do casal, ela contou uma outra versão que não fazia muito sentido, e ontem [segunda-feira] pela manhã a gente ouviu ela novamente, no momento em que ela resolveu confessar os fatos e se declarar como a responsável pela contratação de David. Primeiramente, segundo ela fala, dar um susto nos pais”, explica a delegada.
Apesar da confissão, a motivação para o crime ainda não foi esclarecida. “Essas questões todas vão ser apuradas. Quero destacar que a investigação ainda não está finalizada”, disse.
Outros envolvidos e desfechos
Os dois homens apontados como executores também morreram. David foi encontrado sem vida no dia seguinte ao crime, enquanto Wellington dos Santos Vieira, que estava foragido, morreu após confronto com a Polícia Militar.
Já Wendebrson Haly segue sendo procurado pelas autoridades.
“Estamos atrás de informação para ver se a gente pode localizar, esclarecer esse crime e punir os responsáveis o mais rápido possível”, concluiu a delegada.
Caso relembra crime de repercussão nacional
O episódio apresenta semelhanças com o caso que chocou o país em 2002, quando Suzane von Richthofen foi condenada por planejar o assassinato dos pais, executado por terceiros. Assim como no crime ocorrido em Anastácio, a investigação apontou participação direta da filha no planejamento da ação.
Se confirmadas as acusações, os envolvidos podem responder por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão, conforme o Código Penal.


