O empresário e lobista Celso Eder Gonzaga de Araújo, investigado por participação em um esquema de corrupção ligado ao caso Ultrafarma, passará a cumprir prisão domiciliar após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele estava detido na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.
A mudança no regime ocorreu depois que a Corte aceitou parcialmente um habeas corpus apresentado pela defesa, conforme decisão proferida na última segunda-feira (16).
Operação Ícaro e suspeitas
Araújo é um dos alvos da Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apura um suposto esquema envolvendo o empresário Sidney Oliveira, proprietário da Ultrafarma, o executivo Mario Otávio Gomes, da Fast Shop, além de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda paulista.
De acordo com o MPSP, o grupo teria operado fraudes em créditos tributários, com arrecadação estimada em cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021.
Deflagrada em agosto do ano passado, a operação resultou na prisão de seis pessoas e na apreensão de aproximadamente R$ 2 milhões, além de itens de alto valor, como relógios de luxo e pedras preciosas. Sidney Oliveira chegou a ser preso no início das investigações, mas foi liberado poucos dias depois, e teve as medidas cautelares revogadas ainda naquele mês pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Patrimônio e apreensões
Investigado por atuar na lavagem de dinheiro, Celso Araújo é apontado como parceiro do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que, segundo a promotoria, teria recebido propinas para viabilizar o esquema dentro da administração pública.
No momento da prisão, realizada em sua residência em Alphaville, investigadores encontraram valores expressivos em dinheiro, criptomoedas e moedas estrangeiras, além de uma grande quantidade de joias e pedras preciosas, como esmeraldas e rubis, e relógios avaliados em milhões de reais.
Documentos anexados ao processo indicam que o patrimônio declarado do empresário gira em torno de R$ 180 milhões, incluindo bens de luxo, propriedades e uma coleção significativa de pedras preciosas.
Origem das investigações
As apurações que culminaram na Operação Ícaro tiveram início a partir de outro inquérito conduzido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, no qual Araújo já era investigado por suspeita de estelionato.
Durante o aprofundamento das investigações, promotores identificaram conexões entre empresas ligadas ao empresário e a Smart Tax Consultoria, associada à mãe de um dos auditores fiscais investigados.
Segundo a investigação, movimentações financeiras milionárias foram realizadas entre essas empresas e pessoas ligadas ao esquema. “Dentre as empresas de Celso suspeitas de serem usadas para lavagem de dinheiro, encontra-se a Dac Meio de Pagamento, da qual é sócia Kimio Mizukami da Silva, mãe do fiscal Artur”, diz a investigação.
Outro ponto levantado pelas autoridades envolve uma instituição descrita como um “banco” com capital declarado bilionário, sustentado por ativos considerados de origem duvidosa, incluindo documentos e registros vinculados a entidades inexistentes.


