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há 4 meses

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Contraventor Adilsinho, há décadas foragido, é detido em Cabo Frio em grande operação policial

Prisões marcam desmantelamento de uma das principais organizações criminosas do Rio, com ramificações no jogo do bicho e contrabando de cigarros

Uma operação conjunta das forças de segurança do Rio de Janeiro resultou na captura de Adilson Oliveira Coutinho Filho, mais conhecido como Adilsinho, um dos criminosos mais procurados do estado. A ação aconteceu na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos do estado, e mobilizou a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-RJ), composta por agentes da Polícia Federal, da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e apoio do Serviço Aeropolicial.

As forças de segurança encerraram uma longa caça ao criminoso, que estava foragido há muitos anos e era alvo de vários mandados de prisão por graves delitos. O contraventor foi levado à Superintendência da PF no Rio antes de ser encaminhado ao sistema prisional estadual.

Alems

A trajetória de um dos bicheiros mais procurados

Adilsinho era considerado um dos principais líderes da contravenção do jogo do bicho no estado e também tinha papel central em uma complexa rede criminosa voltada ao contrabando e à fabricação de cigarros falsificados. A investigação aponta que ele foi responsável pela movimentação de bilhões de reais nos últimos anos por meio dessas atividades ilegais.

Além da contravenção, o contraventor enfrentava acusações por uma série de crimes violentos. As autoridades o investigavam como possível mandante de diversos homicídios, além de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de pessoas, trabalho escravo e evasão de divisas.

Ele era uma figura de alto escalão no submundo do jogo ilegal e suas operações se estendiam por várias frentes, incluindo violência e imposição de controle territorial.

Segundo a investigação da PF, ao longo dos anos, a quadrilha chegou a produzir ilegalmente cigarros em fábricas clandestinas na Baixada Fluminense, explorando trabalhadores em condições semelhantes à escravidão e impondo monopólios na comercialização dos produtos falsificados.

Prisão e mandados em aberto

A captura ocorreu em uma residência onde Adilsinho estava escondido, após intensa troca de informações de inteligência. Ele possuía pelo menos cinco mandados de prisão preventiva em aberto, expedidos tanto pela Justiça Federal quanto pela Estadual — quatro deles por homicídio e um por crimes ligados à organização criminosa.

Segundo as investigações, a Polícia Civil ligou o bicheiro à morte de Fabrício Alves Martins de Oliveira, ocorrida em 2022, além de outras ações violentas associadas ao conflito pelo controle do comércio ilegal de cigarros no estado.

Relação com a cultura do Carnaval

Como era comum entre grandes contraventores, Adilsinho mantinha vínculos com o samba e o carnaval carioca. Ele era destacado como patrono da tradicional Acadêmicos do Salgueiro, uma das principais escolas de samba da cidade. Essa ligação cultural é um traço histórico dessa faceta do crime organizado no Rio, em que líderes do jogo do bicho frequentemente assumiram papéis influentes no carnaval ao longo das décadas.

Significado da operação

A prisão de Adilsinho representa um marco nas investigações contra organizações criminosas que há anos atuaram com pouca visibilidade diante das autoridades. A ação é parte da Operação Libertatis II, iniciada em 2025, que já resultou em apreensões de bens, bloqueios milionários e outras prisões relacionadas ao grupo.

A detenção é vista pelas forças de segurança como um passo importante no desmantelamento de uma quadrilha armada e transnacional especializada em contravenções, contrabando e crimes violentos no estado do Rio de Janeiro e em outras regiões do país.

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