A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que a sequência de cerca de 800 roubos de veículos entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025 foi planejada pela cúpula do Comando Vermelho para espalhar terror na população e desafiar as forças de segurança pública. As informações são da coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.
Crimes como tática de intimidação
Segundo a investigação, os furtos foram coordenados por líderes da facção instalados em áreas estratégicas do Rio, como os complexos da Penha, Chapadão e Salgueiro. Grande parte dos carros roubados foi abandonada pouco tempo depois, geralmente em territórios controlados pelo próprio grupo, o que indica que o objetivo não era obter lucro, mas sim demonstrar poder e causar sensação de insegurança.
Retaliação à repressão policial
A ofensiva criminosa teria sido uma resposta direta ao impacto das operações policiais que atingiram a “caixinha” da facção — o fundo financeiro que sustenta familiares de presos e mantém o padrão de vida dos líderes. Para retaliação, o Comando Vermelho ordenou o aumento dos roubos em várias regiões do estado como forma de pressão e intimidação às autoridades.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, ressaltou que a investigação conseguiu identificar os responsáveis pelo planejamento da ação, que partiu da alta hierarquia da organização criminosa.
Indiciamentos e avanços da Operação Torniquete
Diversos chefes comunitários e operadores do Comando Vermelho, atuantes na Zona Norte, Região Metropolitana e Baixada Fluminense, foram formalmente indiciados por coordenar os crimes. A operação foca em atingir os mandantes, não apenas os executores das ações nas ruas.
Desde o início da Operação Torniquete, em setembro de 2024, mais de 740 pessoas foram presas, além da recuperação de cargas e veículos avaliados em cerca de R$ 45 milhões. A apreensão de bens vinculados a organizações criminosas já ultrapassa R$ 70 milhões, conforme dados da Polícia Civil.


