O artista e designer Alan Vilar, 29 anos, reconhecido pelo trabalho de bordado em folhas secas, foi ferido durante um assalto dentro de sua residência em Campo Grande, na noite de quinta-feira (20). O agressor tentou levar o celular do artista e o atacou com um facão. Ao tentar se defender, Alan sofreu cortes profundos na mão, atingindo tendões e necessitando de intervenção cirúrgica.
Em depoimento ao O Estado, Alan relatou que trabalhava em seu ateliê improvisado quando percebeu um barulho externo. Como a casa fica próxima a uma área de mata, ele acreditou inicialmente se tratar de um animal. A porta e a janela estavam abertas devido ao cheiro de materiais que utilizava no momento. O invasor estava escondido na varanda, e o ataque ocorreu assim que o artista se aproximou.
O assaltante fugiu levando o celular. Ferido, Alan foi encaminhado para o Hospital do Trauma da Santa Casa, onde permanece internado e aguarda nova cirurgia, já que os cortes comprometeram tendões e nervos essenciais para sua atividade artística. A polícia segue investigando o caso.
Recuperação delicada
Depois de uma primeira cirurgia, realizada para limpar e avaliar os ferimentos, Alan deve passar por um segundo procedimento para reparo dos tendões e nervos rompidos. Segundo ele, a gravidade só se tornou clara após a avaliação médica inicial.
O artista também relatou preocupação com a demora no atendimento especializado devido às dificuldades enfrentadas pelo hospital. Para ele, atrasos podem prejudicar a recuperação dos movimentos da mão. Apesar disso, demonstra otimismo: “Vai ser um processo longo, mas estou confiante de que vou recuperar a mão”, afirmou.
Devido ao ocorrido, compromissos profissionais em São Paulo tiveram de ser adiados. Ele decidiu divulgar o caso para tranquilizar seguidores e agradecer as mensagens de apoio.
Repercussão e mensagens de solidariedade
Colegas de profissão e admiradores manifestaram apoio ao artista após a divulgação do ataque.
A artesã Manu Ebert publicou um vídeo pedindo orações pela recuperação do amigo, com quem ministraria uma oficina em São Paulo.
A Associação Elas Podem, o Projeto À Flor da Pele e outros grupos artísticos também enviaram mensagens desejando pronta recuperação, destacando a delicadeza e a originalidade do trabalho de Alan.
A trajetória de Alan Vilar
Desde a infância, Alan encontrou na natureza o espaço para desenvolver sua sensibilidade artística. Sem acesso a materiais tradicionais, usava folhas, galhos e terra para criar desenhos. Mais tarde, essa conexão com o ambiente natural se transformaria na base estética de seu trabalho.
O bordado em folhas secas surgiu após experimentações com esculturas em folhas, em 2019. Mesmo sem experiência em bordado, desenvolveu um estilo próprio, combinando técnicas intuitivas e pesquisa de materiais naturais como penas, pétalas, cascas e insetos.
Suas obras ganharam projeção nacional em 2024, quando participou do programa de Ana Maria Braga, apresentando um Louro José bordado em uma folha esqueletizada — peça que ganhou grande repercussão.
Em 2025, o artista integrou a exposição coletiva “Curvas Pantaneiras”, no CRAB, no Rio de Janeiro, ao lado de outros representantes do artesanato e da arte sul-mato-grossense.
Apesar do momento difícil, Alan afirma que pretende retomar o trabalho assim que possível:
“É como ter uma asa temporariamente cortada, mas logo vou voltar a voar com meus passarinhos.”


