Uma investigação em andamento revelou um esquema que teria permitido o acesso antecipado a questões usadas como base para o Enem 2025. O estudante de medicina Edcley Teixeira é apontado como responsável por recrutar participantes do Prêmio Capes Talento Universitário, realizado no fim de 2024, para memorizar perguntas aplicadas como pré-teste pelo Inep.
Pelo acordo, cada colaborador receberia R$ 10 para transmitir, logo após a prova, descrições e áudios com o conteúdo das questões. Com o material, Edcley montava apostilas e cursos comercializados por valores que chegavam a mais de R$ 1,3 mil. Às vésperas do Enem, ele chegou a fazer uma transmissão ao vivo mostrando itens muito próximos aos que foram utilizados no exame.
A partir das evidências colhidas — como conversas, comprovantes de pagamento e relatos de estudantes — o Inep identificou similaridades e anulou três questões da edição deste ano. A autarquia solicitou que a Polícia Federal aprofunde as apurações para identificar responsabilidades e eventuais outros envolvidos.
Mensagens obtidas pela investigação apontam que Edcley também incentivava alunos a participar da prova da Capes apenas para coletar mais conteúdo.
A defesa do universitário afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda o avanço do inquérito. O Inep declarou que os mecanismos de segurança foram acionados e que a anulação das questões não compromete o desempenho geral do exame. ( Da redação /Com inf do G1)

