A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio de delegacias especializadas do Rio Grande do Sul, identificou o líder de uma organização criminosa responsável pelo chamado “golpe do nudes”, aplicado contra homens residentes em Campo Grande. Na decisão judicial, foi decretada a prisão preventiva do suspeito, batizado como Eric Basso da Silva, vulgo “Chapolin”, ainda foragido.
Como funcionava o esquema
Conforme apurado pela investigação, a fraude operava desde 2023 por meio de perfis falsos criados em redes sociais. O primeiro passo consistia em simular uma jovem (entre 16 e 25 anos) para estabelecer contato com a vítima — geralmente homens maduros e com boa condição financeira. Após certo envolvimento, o perfil envia fotos sensuais e exige que a pessoa retribua com imagens íntimas.
Em seguida, os criminosos introduziam novos personagens fictícios na trama: um alegado parente da jovem informava que ela era menor de idade, cobrando valores para reparar danos “emocionais”; depois, um “delegado” falso acusava a vítima de pedofilia, ameaçando internação e processo judicial caso não houvesse pagamento.
Para manter vítimas sob controle, Eric Basso teria contratado um detetive particular em Campo Grande que fotografiava a rotina delas e de seus familiares, enviando imagens e reforçando chantagens.
Envolvimento, alcance e suspeitas
A apuração apontou que a organização é originária do Rio Grande do Sul e contava com cerca de 14 pessoas envolvidas — todas identificadas como naturais ou residentes naquele estado. Também há indícios de ligação do grupo com a facção “Bala na Cara” (BNC), principal facção gaúcha, uma vez que alguns membros tinham histórico ou domínio em áreas sob influência da facção.
O alvo era perfis públicos nas redes sociais: usuários do sexo masculino que demonstravam alto poder aquisitivo ou sucesso social, identificados por meio de postagens visíveis. A estimativa de prejuízo causado às vítimas ultrapassa R$ 5 milhões.
Situação atual e desafios da Justiça
Embora o imóvel onde Eric Basso teria morado, na cidade de Bento Gonçalves (RS), já tenha sido localizado, o suspeito não foi encontrado.
A Polícia Civil de MS, por meio da Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos (DERF), além de cooperação com o Departamento de Repressão a Crimes Informáticos (DERCC) e a Delegacia de Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE) gaúchas, coordena as investigações relativas ao golpe.


