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Justiça

há 9 meses

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Julgamento de "Pablo Escobar brasileiro" segue com aparato de segurança máxima

Processo "Samba" envolve 32 réus e investiga uma das maiores redes de tráfico de cocaína da Europa

Começou na última segunda-feira (15) na Bélgica o megaprocesso conhecido como “Samba”, que leva ao banco dos réus o ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho, apelidado de “Pablo Escobar brasileiro”. O nome do processo faz referência ao ritmo nacional, em uma ironia que remete ao Brasil, país de origem da cocaína enviada à Europa.

O julgamento ocorre no Tribunal de 1ª Instância de Haren, prédio que já sediou audiências dos terroristas responsáveis pelos ataques em Bruxelas, em 2016. O espaço, que já foi sede da OTAN, recebe atualmente os maiores processos criminais da Europa e opera com medidas de segurança reforçadas, incluindo revistas, checagens de identidade e barreiras policiais, segundo a imprensa local.

Alems

Carvalho é julgado junto com seu comparsa Flor Bressers, formado em criminologia e apontado como braço direito do ex-PM. Bressers ganhou o apelido de “cortador de dedos” após uma acusação de agressão em 2010. Ele teria comandado operações milionárias de tráfico a partir de um iate nas Seychelles, utilizando plataformas de mensagens criptografadas, como EncroChat e Sky ECC.

Relatórios da Europol indicam que o grupo de Carvalho movimentou pelo menos 45 toneladas de cocaína em seis meses, com estimativa de lucro próximo a meio bilhão de euros. Bressers ostentava mansão em ilha privada, apartamento em Zurique e até um berço cravejado de diamantes para o filho, além de ter acumulado cerca de 230 milhões de euros em apenas dez carregamentos de drogas antes de sua prisão, em 2022, na Suíça.

A primeira audiência foi suspensa na terça-feira devido a questionamentos da defesa de Bressers sobre a validade de CDs contendo mensagens criptografadas. O julgamento será retomado nesta quinta-feira (18).

As investigações apontam que Carvalho explorava falhas em portos brasileiros, como os de Natal (RN) e Paranaguá (PR), utilizando empresas de fachada, advogados e especialistas em finanças para viabilizar a importação da droga e a lavagem do dinheiro. O porto de Antuérpia, na Bélgica, é apontado como principal ponto de entrada da cocaína no continente.

Ex-major da PM de Mato Grosso do Sul, Carvalho foi expulso da corporação em 2018 e já havia sido condenado no Estado por tráfico de drogas e uso de “laranjas” em movimentações milionárias. Após se mudar para a Europa, continuou atuando no tráfico e chegou a forjar sua própria morte em 2020 para escapar da Justiça espanhola. Foi preso em junho de 2022 na Hungria, com passaporte mexicano falso, e extraditado para a Bélgica em junho de 2023. Além do processo europeu, enfrenta pedidos de extradição do Brasil, Estados Unidos e Espanha.

O caso, considerado histórico pela Justiça belga, envolve ainda 32 réus, entre advogados e banqueiros, e revela a dimensão global e sofisticada do narcotráfico, que vai do trabalhador comum até profissionais respeitados, como advogados e financistas, mostrando como o crime organizado se infiltra em diferentes camadas da sociedade.
 

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