Uma operação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) desmontou nesta segunda-feira (18) um laboratório clandestino de produção da droga conhecida como "dry", uma versão altamente concentrada da maconha com valor de mercado que pode ultrapassar os R$ 100 mil por quilo.
A ação ocorreu em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai e fica a 313 km de Campo Grande. Além do laboratório, os agentes localizaram também um depósito onde a substância era armazenada antes de ser distribuída para outras regiões do país.
Dois presos e conexão com o crime organizado
Dois homens foram detidos durante a operação. Jean Carlos Vieira da Silva foi flagrado no depósito, enquanto Antonio Carlos Piovesana, natural de Santa Catarina e proprietário de uma empresa de torno e solda em Xanxerê, estava no laboratório.
Segundo o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, responsável pela investigação, a produção era comandada por uma família com atuação na região de fronteira. “Essa substância tem altíssima concentração de THC, o princípio ativo da maconha, e exige um processo químico sofisticado”, destacou.
Processo de fabricação e alto valor da droga
Durante a ação, a polícia apreendeu porções prontas da droga, equipamentos utilizados no preparo e dezenas de botijões de gás refrigerante — produto essencial para a fabricação do dry.
O processo consiste em comprimir flores de maconha com gás em cilindros, transformando-as em uma pasta que, posteriormente, é misturada a um pó da própria planta. “São necessários aproximadamente seis quilos de maconha para produzir apenas 180 gramas dessa droga”, explicou o delegado.
Cada pacote de 180 gramas pode ser vendido por cerca de R$ 18 mil, o que eleva o preço por quilo a cifras em torno de R$ 100 mil, colocando o dry entre as drogas mais lucrativas atualmente no mercado ilícito.
Investigações continuam
A polícia agora apura se os suspeitos têm ligação direta com facções criminosas que atuam na região da fronteira, conhecida como rota estratégica para o tráfico de drogas. Novas diligências devem ocorrer nos próximos dias.


