Mato Grosso do Sul deu mais um passo histórico no enfrentamento à violência doméstica e familiar, unindo forças entre Governo, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Prefeitura de Campo Grande e entidades parceiras. A apresentação oficial, nesta quinta-feira (14), consolidou medidas que vêm transformando, desde fevereiro, a forma de proteger mulheres e crianças com integração tecnológica, atendimento humanizado e prevenção.
Na 2ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) da Capital, a mudança é visível. Processos que antes demoravam até dois dias agora são resolvidos em menos de um minuto, graças à tramitação 100% digital de inquéritos e autos de prisão em flagrante. A tarja lilás no SIGO e a medida protetiva eletrônica permitem identificar rapidamente o histórico do agressor e acionar providências sem revitimizar a mulher.
Mas a proteção vai além. Uma das novidades é o olhar especial para os filhos das vítimas: psicopedagogas na brinquedoteca da Casa da Mulher Brasileira passaram a identificar sinais de violência, muitas vezes revelados no comportamento das crianças durante o acolhimento. Essa triagem precoce ajuda a encaminhar casos para acompanhamento psicológico e social, rompendo ciclos de trauma.
O secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, destaca que a integração de dados entre Polícia Civil, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Defensoria Pública permite respostas mais rápidas e precisas. "Hoje conseguimos agir antes que o pior aconteça, protegendo não apenas a vítima direta, mas toda a família, especialmente os filhos, que são as vítimas silenciosas da violência doméstica."
Entre abril e julho, o atendimento às vítimas praticamente dobrou na DEAM, passando de 70 para 138 casos mensais. Esse avanço foi possível graças ao reforço de equipes, modernização de procedimentos e uso de inteligência artificial para análise de risco.
Na Casa da Mulher Brasileira a primeira do país a gestão compartilhada entre Estado e Prefeitura ampliou equipes psicossociais, criou a Ouvidoria da Mulher e implantou o Botão da Vida, conectado ao sistema de monitoramento da Guarda Civil Metropolitana, com tempo médio de resposta de três a cinco minutos.
O promotor Izonildo Gonçalves de Assunção Júnior ressaltou a importância da prevenção: "Não podemos esperar pela próxima vítima. Nossa rede integrada está aqui para salvar vidas agora e isso inclui garantir que nenhuma criança cresça convivendo com a violência."
Com programas como o Recomeços, que já atende órfãos do feminicídio com auxílio mensal, e a ampliação do CEAMCA e do EJA Mulher, o Estado fortalece o acolhimento, a capacitação profissional e a autonomia das vítimas.
O governador em exercício, José Carlos Barbosa (Barbosinha), resumiu o impacto dessa transformação: "Cada vida protegida é uma vitória coletiva. Estamos construindo um legado de dignidade e segurança para nossas mulheres e nossas crianças."


