Em uma operação de grande impacto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apreendeu, nesta segunda-feira (30), uma carga avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões em cloridrato de cocaína do tipo “escama de peixe” — uma das versões mais puras e valiosas da droga, geralmente destinada à exportação. Ao todo, foram encontrados 377 kg do entorpecente, escondidos em compartimentos ocultos dentro de portas de madeira armazenadas em um depósito no bairro Jardim Itamaracá, em Campo Grande.
A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e resultou na prisão em flagrante de duas pessoas, além da apreensão de veículos e celulares utilizados pelo grupo criminoso.
De acordo com as investigações, a cocaína seguiria para o Estado do Paraná, de onde seria encaminhada à Europa com apoio de outros integrantes da organização criminosa. As diligências continuam para identificar e responsabilizar outros envolvidos, inclusive em outros estados da região Centro-Sul do país.
O que é a cocaína tipo “escama de peixe”?
A cocaína apreendida chama atenção por sua forma: a chamada “escama de peixe” é considerada uma droga de alta pureza, com valor comercial superior à cocaína comum. Seu nome faz referência à textura diferenciada — são pedaços compactos que se desfazem em lascas ao serem manuseados, lembrando escamas. Ao contrário da versão em pó, essa não se dissolve facilmente e mantém uma estrutura sólida.
Essa característica física reflete diretamente na qualidade e no preço. Enquanto o quilo da cocaína comum é vendido entre R$ 18 mil e R$ 20 mil no Brasil, o da escama de peixe pode alcançar até R$ 25 mil — chegando a dobrar de valor em regiões do Centro-Sul, onde pode ser multiplicada em laboratórios clandestinos. Um único quilo da droga pura pode render até 10 quilos adulterados, aumentando exponencialmente o lucro dos traficantes.
Além disso, a escama de peixe possui efeitos mais intensos e um alto potencial de dependência, sendo considerada uma das formas mais perigosas da substância. Seu uso está associado a riscos graves à saúde, como aumento da frequência cardíaca, infarto e até acidente vascular cerebral (AVC).


