Na última quinta-feira (26), um menino de 7 anos foi violentado no bairro Rita Vieira, em Campo Grande, por um homem conhecido como “Pelado”, que já havia abusado da própria sobrinha. O agressor foi preso em flagrante.
A criança estava brincando na rua com outras crianças quando foi atraída para uma área de mata pouco movimentada. Segundo a mãe, o homem ofereceu dinheiro, tapou a boca do menino e tentou arrastá-lo para dentro do mato. A vítima conseguiu escapar ao morder o agressor e correu para casa.
“Meu filho chegou desesperado, quase sem conseguir falar. Isso acabou com a minha vida, com a minha paz e com o meu trabalho. Eles estavam brincando na frente de casa, perto dos meus olhos, e ele voltou pedindo socorro”, relatou a mãe, visivelmente abalada. O menino agora está recebendo acompanhamento psicológico e tratamento preventivo para infecções sexualmente transmissíveis.
Dados alarmantes sobre abusos em Mato Grosso do Sul
Esse caso é um reflexo da realidade alarmante em Mato Grosso do Sul. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), até esta sexta-feira (27), foram registrados 937 casos de estupro de vulnerável no estado. Dentre as vítimas, 442 são crianças de 0 a 11 anos e 364 são adolescentes de 12 a 17 anos, totalizando 86% das ocorrências.
Somente em Campo Grande, já foram contabilizados 267 casos neste ano, sendo 223 do sexo feminino e 39 do sexo masculino. A maioria dos casos envolve crianças (125) e adolescentes (87), correspondendo a 79,4% do total. Embora o mês de junho tenha apresentado uma queda nos registros, totalizando 102 casos — o menor número até agora — os dados continuam preocupantes.
Vulnerabilidade social como fator facilitador
A vulnerabilidade social e econômica de muitas famílias tem sido uma porta de entrada para a violência sexual contra crianças e adolescentes. Os abusadores muitas vezes não utilizam violência explícita, mas se aproveitam da carência material e afetiva dessas vítimas.


