A Operação Snow, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou uma prática brutal utilizada por uma quadrilha de tráfico de drogas para garantir a lealdade de seus motoristas. Sob ameaças de morte, os transportadores de drogas eram incentivados a assumir total responsabilidade pelas cargas em caso de apreensão, com a promessa de um pagamento duas vezes maior que o valor de mercado.
A quadrilha, comandada por Joesley da Rosa, operava principalmente na região de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, e usava caminhões frigoríficos adaptados com compartimentos ocultos para transportar grandes quantidades de cocaína e outras substâncias ilícitas. O transporte era disfarçado com cargas legais, como produtos perecíveis, para dificultar a fiscalização policial.
Os motoristas eram recrutados por membros da organização criminosa, como Douglas Lima de Oliveira e Fábio Antônio Alves da Silva, e eram orientados a manter silêncio sobre o tráfico. Para garantir que não houvesse delações, Joesley oferecia aos motoristas R$ 40 mil, o dobro do valor convencional, desde que assumissem toda a responsabilidade pela carga em caso de abordagem policial. Caso contrário, as ameaças de morte eram claras e contundentes.
O esquema envolvia não apenas motoristas, mas também empresas e outros envolvidos que davam suporte logístico, garantindo que as cargas ilícitas fossem transportadas e entregues sem despertar suspeitas. A investigação segue em andamento, e os membros da quadrilha enfrentam graves acusações de tráfico de drogas e associação criminosa.

