Quarta, 8 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

18°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quarta, 8 Julho 2026

Polícia

há 1 ano

A+ A-

"Narcopix": Gaeco expõe uso do Pix em esquema de tráfico em Mato Grosso do Sul

Quadrilha utilizava o sistema de pagamentos instantâneos para movimentar dinheiro ilícito, financiar operações e distribuir lucros entre membros.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) desmantelou uma quadrilha de tráfico de drogas que utilizava o sistema de pagamentos instantâneos Pix para financiar operações criminosas e distribuir lucros entre seus integrantes. Baseada em Ponta Porã e Campo Grande, a organização enviava cocaína para São Paulo e outros estados, demonstrando um esquema sofisticado de logística e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, o grupo era liderado por Joesley da Rosa, preso desde o ano passado, e tinha apoio de empresários e financiadores de alto poder aquisitivo, como Emerson Corrêa Monteiro, morador de um condomínio de luxo em Campo Grande. Entre as transações analisadas, destacam-se pagamentos que chegaram a R$ 100 mil, revelando a dimensão financeira do esquema.

Alems

O Pix, além de facilitar a movimentação dos valores, foi usado para disfarçar a origem ilícita dos recursos. Empresas de fachada e contas bancárias pessoais, controladas por membros do grupo, eram instrumentos chave na operação. Mulheres ligadas aos chefes do tráfico, como Jéssika Farias da Silva e Mikeli Miranda de Souza, desempenhavam papéis cruciais na gestão financeira.

Entre as táticas empregadas pela quadrilha estava o uso de caminhões frigoríficos com compartimentos ocultos para transportar cocaína junto a cargas perecíveis. Além disso, empresas terceirizadas dos Correios eram utilizadas para o transporte de entorpecentes, em uma tentativa de mascarar as atividades ilícitas.

As investigações também apontaram corrupção policial, com informações confidenciais sendo repassadas por agentes civis em troca de benefícios. Durante a Operação Snow 2, deflagrada em janeiro, promotores do Gaeco reuniram mais de 300 páginas de provas detalhando o esquema criminoso, incluindo transações eletrônicas e o uso de viaturas oficiais para facilitar o tráfico.

A revelação desse esquema ocorre em meio à polêmica nacional sobre a fiscalização do Pix, com foco em movimentações acima de R$ 5 mil mensais. A Receita Federal chegou a propor novas regras, mas recuou após críticas relacionadas à privacidade e à possibilidade de impactos negativos na economia.

Veja também