As investigações sobre uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, com base em Campo Grande, desarticulada durante a segunda fase da Operação Snow, realizada no último dia 15 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelaram uma rede sofisticada de transporte que utilizava caminhões frigoríficos, rastreadores personalizados e empresas regulares para movimentar drogas da fronteira com o Paraguai, em Ponta Porã, até estados como São Paulo.
De acordo com o Gaeco, a quadrilha era liderada por Joesley da Rosa, que também ordenava execuções de membros suspeitos ou considerados traidores. O grupo contava com Rodrigo de Carvalho Ribas como responsável pela logística, incluindo a coordenação de cargas ilícitas em caminhões refrigerados, que transportavam os entorpecentes escondidos em compartimentos ocultos, junto a mercadorias perecíveis. Para mascarar a operação, os veículos eram registrados em nome de motoristas ou empresas ligadas ao esquema, dificultando a identificação dos verdadeiros proprietários.

Além do transporte, a quadrilha monitorava cuidadosamente o trajeto dos caminhões. Oscar José dos Santos Filho bloqueava os rastreadores originais e instalava dispositivos próprios, permitindo que o chefe da organização acompanhasse as rotas sem que os motoristas soubessem. No entanto, quem despertasse a desconfiança do grupo pagava com a vida.
Rodrigo Dornelles da Silva, funcionário de uma funerária em Ponta Porã, foi assassinado em março de 2023 após ser acusado de desviar drogas. Já em maio, os irmãos Valdemar e Eder Kerkhoff foram executados em Ponta Porã após Valdemar suspeitar que estava sendo monitorado pela polícia. Segundo o inquérito, as mortes foram ordenadas por Joesley e contaram com a participação de seu advogado, Vlandon Xavier Avelino.
Durante as investigações, a polícia apreendeu, em abril de 2023, cerca de 839 kg de cocaína e 20 kg de skunk em um depósito utilizado pela quadrilha na Avenida Gury Marques, em Campo Grande. No total, a segunda fase da Operação Snow cumpriu 21 mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão.
As autoridades continuam investigando o caso para identificar outros integrantes e encerrar definitivamente as atividades da organização criminosa, que chamou a atenção pela brutalidade de suas ações e pela sofisticação de sua logística.


