O Morenão está mais perto de voltar à vida. O projeto de revitalização do estádio Pedro Pedrossian ganhou força depois que o ministro do Esporte, André Fufuca, prometeu analisar o repasse de recursos ainda este ano. A ideia é reabrir o local — inicialmente com capacidade parcial para 12 mil torcedores — e devolver à cidade o palco de grandes histórias. E que histórias...
Entre gols da Seleção, títulos do Operário e Comercial, e até um suposto visitante de outro planeta, o Morenão já foi cenário de acontecimentos que misturam futebol, cultura pop e lenda urbana. Relembramos aqui cinco momentos que ajudaram a transformar o estádio em patrimônio afetivo dos sul-mato-grossenses.
A inauguração com clássico nacional
Em 7 de março de 1971, Campo Grande parou. O recém-inaugurado Morenão recebeu Flamengo x Corinthians, e o estádio ficou pequeno para tanta gente — o público total não foi divulgado.
O então governador do Mato Grosso (antes da fundação de MS) Pedro Pedrossian deu o pontapé inicial para o amistoso. O Flamengo venceu por 3 a 1, com gols de Murilo, Liminha e Buião (Flamengo), e Paulo Borges (Corinthians).
Casa do Operário na bela campanha do Brasileirão
O estádio é mais velho que o estado. O Mato Grosso do Sul foi fundado em 1977, mas o Morenão e o Operário já estavam aí, fazendo bonito no cenário nacional. E poucos meses após a fundação do MS, o clube chegava às semifinais do Campeonato Brasileiro de 77 (que terminou em março de 78), ficando em 3.º lugar na classificação geral e tendo o Morenão como casa.
Foram dias de festa, com Campo Grande recedendo times grandes e o estádio se consolidando como símbolo da identidade esportiva sul-mato-grossense. Tudo isso coroado com uma grande campanha do time da casa.
Base para contados imediatos de terceiro grau
Em 1982, o Morenão também virou notícia por um motivo bem mais inusitado. Durante um jogo em que o Operário enfrentava o Vasco pelo Brasileirão, torcedores e até jogadores juram ter visto um objeto luminoso sobrevoando o estádio.
O caso foi parar nos jornais e entrou para o folclore campo-grandense. Até hoje, ninguém sabe se o visitante vinha de Marte ou só queria conferir o que o time da casa estava aprontando no campeonato nacional.
A vez da Seleção Brasileira
Em fevereiro de 1991, o Morenão viveu seu momento de Maracanã sul-mato-grossense: Brasil x Paraguai, amistoso internacional que terminou empatado em 1x1 (o gol brasileiro foi feito por Neto - aquele mesmo).
O estádio lotou para ver de perto a equipe treinada por Paulo Roberto Falcão enfrentando um Paraguai com jogadores que viriam a atuar no futebol brasileiro - como Rivarola (futuro jogador de Grêmio e Palmeiras) e Struway (que teve passagens por Portuguesa e Coritiba). Foi mais uma prova de que o estádio podia, sim, receber jogos de alto nível - pelo menos no papel, porque o futebol entregue neste amistoso foi decepcionante.
Quando o SBT trouxe os campeões do mundo para Campo Grande
Em 1997, o Morenão voltou a brilhar recebendo alguns jogos da Copa dos Campeões Mundiais — uma daquelas ideias típicas da era Silvio Santos: um torneio organizado pelo SBT, com cobertura animada e aquele jeitão de “domingo legal” antes da hora.
Mas, ao contrário do que muitos imaginam, a competição (ideia do então diretor de Esportes do canal, o narrador Osmar de Oliveira) tinha chancela oficial da CBF e reunia clubes que realmente já haviam conquistado o título intercontinental, como Santos, Grêmio, São Paulo e Flamengo.
As partidas atraíram públicos honestos e deram ao estádio um ar de evento nacional, com direito a craques consagrados, vinhetas televisivas empolgadas (quem não se lembra do "Eh lê lê oh" cada vez que saia um gol?) e um Morenão novamente no centro das atenções.
Veja os cinco momentos mais marcantes na história do Morenão:


