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Suspeitas no leilão de arroz: Conab investigará empresas vencedoras

O leilão, realizado na quinta-feira (6), resultou na compra de 263,3 mil toneladas de arroz importado, totalizando R$ 1,3 bilhão

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou neste domingo (9) que está exigindo comprovações de capacidade técnica das empresas vencedoras do leilão de arroz do governo federal. A decisão surge após críticas sobre a transparência e a idoneidade das participantes, levantadas tanto pela oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelo setor do agronegócio.

Das quatro empresas arrematantes, a que adquiriu a maior quantidade de arroz é uma loja de queijos, enquanto outra é uma empresa de transportes cujo único sócio já admitiu ter pago propina para fechar contratos com o governo do Distrito Federal.

O leilão, realizado na quinta-feira (6), resultou na compra de 263,3 mil toneladas de arroz importado, totalizando R$ 1,3 bilhão. Esta medida foi tomada para mitigar os impactos das chuvas no Rio Grande do Sul sobre o abastecimento e os preços do cereal.

A maior vencedora do leilão foi a empresa Wisley A de Souza, que adquiriu 147,3 mil toneladas de arroz. Registrada como comércio atacadista de leite e laticínios sob o nome fantasia de Queijo Minas, a empresa está sediada em Macapá, Amapá, com um capital social de R$ 5 milhões.

A ASR Locação de Veículos e Máquinas, sediada em Brasília, foi outra vencedora. Sua principal atividade é o aluguel de máquinas e equipamentos, mas também possui atividades secundárias, como construção civil e comércio atacadista de diversas categorias, incluindo cereais. Seu único sócio, Crispiniano Espindola Wanderley, afirmou que a empresa tem mais de dez anos de experiência e participou de leilões anteriores da Conab.

Wanderley foi mencionado em uma investigação que envolveu o deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) por suposta cobrança de propina para assinatura de contratos de ônibus. Apesar de não ser alvo da investigação, Wanderley admitiu ter feito o pagamento, alegando que foi para denunciar o político.

A Conab anunciou que convocará as Bolsas de Mercadorias e Cereais para validar as empresas participantes do leilão. Essas bolsas são responsáveis por representar as empresas no pregão e assegurar que todas apresentem a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica.

O presidente da Conab, Edgar Pretto, ressaltou a importância de manter a transparência e a segurança jurídica no processo. "Transparência e segurança jurídica são princípios inegociáveis e a Conab está atenta para garantir solidez nessa grande operação", afirmou.

 

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