A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) declara operar no limite de suas capacidades e enfrentar dificuldades para suprir a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) por vacinas contra a dengue.
O órgão público aponta a necessidade de construção de uma nova fábrica para atender à demanda crescente pela vacina Qdenga, disponível no sistema público para combate à arbovirose.
O governo Lula (PT) aposta em uma parceria entre a farmacêutica Takeda, fabricante da vacina, e a Fiocruz para ampliar a oferta de doses no Brasil. Apesar dos avanços nas tratativas, ainda não há definição sobre a assinatura do acordo nem estimativa da quantidade de doses a serem produzidas.
A produção da Qdenga impactaria outras vacinas produzidas pela Fiocruz, como as contra a febre amarela e a tríplice viral, exigindo um "balanceamento na carteira de vacinas ofertadas". A fundação alerta para a possibilidade de interrupção ou redução drástica da produção de outras vacinas, o que poderia aumentar os casos de doença e óbitos.
A construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde, que promete aumentar a capacidade de produção de doses da Fiocruz, ainda não tem data de conclusão. O custo do projeto supera R$ 9,5 bilhões e contempla não apenas a fabricação de vacinas, mas também de insumos para terapia celular.
A Fiocruz busca recursos para a construção do complexo, incluindo verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e investimentos do BNDES, Banco Mundial e BID. A expectativa é concluir a fábrica em até 48 meses após o início da construção.
Diante do problema de capacidade produtiva global para a vacina da dengue, o Ministério da Saúde priorizará instituições que apresentem projetos de aumento da produção nacional a curto prazo. A Takeda também busca parcerias com laboratórios públicos para aumentar o fornecimento global da vacina.

