A já crítica situação provocada pelas inundações no Rio Grande do Sul se agravou com uma onda de insegurança. Saques a lojas e ataques a barcos de resgate, incluindo uma embarcação que transportava policiais militares, levantaram preocupações adicionais entre as equipes de auxílio e a população afetada.

Na tarde desta segunda-feira, a Secretaria de Segurança do Estado reagiu enviando o Batalhão de Operações Especiais (Bope) para patrulhar as áreas mais críticas, tentando coibir ações criminosas que se multiplicaram desde o início das enchentes.
O clima de medo já tem consequências concretas: em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, o número de voluntários que se dispõem a participar das operações de resgate diminuiu significativamente. Dos 30 barcos civis que auxiliavam no resgate no sábado, apenas 20 continuaram as atividades no domingo.
"O medo é palpável. Na noite de ontem, dois homens tentaram abordar um dos barcos que levava policiais, sem perceber que se tratava de uma embarcação de segurança. A tentativa frustrada levou à prisão imediata dos agressores", relata o coronel Márcio de Azevedo Gonçalves, comandante do Comando de Policiamento Metropolitano.
As autoridades locais estão em alerta, especialmente após relatos de estratégias criminosas emergentes, como a simulação de pedidos de socorro para assumir controle das embarcações, descartando seus ocupantes ao relento para depois saquear residências e vítimas isoladas.
A situação é tão grave que moradores de áreas ainda alagadas começaram a organizar rondas de vigilância para proteger suas propriedades. "Estamos fazendo rondas. Já tentaram invadir o prédio da frente. Está tendo tiros e tentativas de invasão", disse a psicóloga Sabrina Zotti, moradora do bairro São Geraldo, em Porto Alegre.
A crise é amplificada pelo fato de que, com a cidade parcialmente submersa, muitas áreas só podem ser acessadas por barco. Com o recuo das águas, o Rio Guaíba atingiu marcas históricas, ultrapassando os registros da grande enchente de 1941.
Enquanto isso, as autoridades correm contra o tempo para fortalecer as operações de resgate antes da chegada de uma frente fria prevista para esta terça-feira (7), que deve reduzir ainda mais as temperaturas, aumentando o risco de hipotermia entre os desabrigados. ( Com inf do G1)

