Em uma disputa que envolveu grandes players internacionais, o grupo israelense Elbit Systems se destacou e venceu uma licitação de cerca de R$ 1 bilhão para fornecer 36 veículos blindados obuseiros ao Exército Brasileiro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (29), após avaliação pelo Comando Logístico do Exército, que priorizou a oferta da Elbit devido à superioridade técnica de seu sistema Atmos.
A licitação atraiu a atenção de outras gigantes da defesa como a chinesa Norinco, a francesa Nexter e a tcheca Excalibur, mas a proposta israelense levou vantagem não só pela qualidade do equipamento, mas também pelas contrapartidas tecnológicas oferecidas, elemento crucial para a decisão final.
O sistema Atmos, já adotado por forças militares de países como Dinamarca e Colômbia, e utilizado em versões anteriores por nações como Tailândia e Filipinas, é notável por sua capacidade de modernizar os arsenais de artilharia com obuseiros que são disparados de um chassi veicular, proporcionando maior mobilidade e agilidade em campo.
No entanto, a escolha do fornecedor estrangeiro não está livre de controvérsias. Segundo fontes internas do Exército relatadas à CNN, há preocupações de que a decisão possa ser influenciada por tensões políticas, especialmente devido às recentes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à política de Israel e às relações tensas com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Além do desafio político, a implementação do contrato prevê desafios logísticos e operacionais, incluindo a capacitação das tropas para o uso eficiente dos novos sistemas. O custo adicional para treinamento pode variar de 15% a 20% sobre o valor de aquisição, e a entrega das primeiras unidades está prevista para 2025, com a conclusão do fornecimento programada até 2034.
Essa aquisição é parte de um esforço maior de modernização do Exército Brasileiro, que busca substituir equipamentos obsoletos e aumentar sua capacidade de defesa com tecnologia de ponta. O acordo inclui, ainda, a nacionalização da produção de munições e a garantia de suporte logístico, evidenciando um investimento não apenas em equipamentos, mas em uma parceria estratégica de longo prazo com transferência de conhecimento e tecnologia.

