Em Mato Grosso do Sul, o norte do estado sofre com uma crise sem precedentes devido aos níveis historicamente baixos do Rio Paraguai. As consequências desta severa seca são sentidas principalmente nos portos de Ladário e Porto Murtinho, onde a movimentação de cargas caiu drasticamente em comparação ao ano anterior, quando os terminais registraram recordes de atividade.
No ano passado, o terminal de Porto Murtinho teve um recorde de movimentação com 1,6 milhão de toneladas de grãos. Este ano, no entanto, o cenário é sombrio com apenas 100 mil toneladas movimentadas até agora, uma redução significativa que não mostra sinais de melhora.
Genivaldo Santos, Gerente de Operações Portuárias do Terminal Portuário Grupo FV explica que a situação atual é alarmante e poderá ter repercussões de longo prazo para a economia local.
No porto de Ladário, que enfrenta dificuldades, os embarques foram retomados apenas no mês de abril. No primeiro trimestre de 2024, a movimentação de minério foi inferior a 10% do volume do ano anterior, ilustrando a gravidade da situação.
Além dos desafios econômicos, a seca extrema está ligada a fenômenos climáticos maiores. Pesquisador da Embrapa Pantanal, aponta que o fenômeno El Niño, embora em fase de atenuação, continua a afetar negativamente o volume de chuvas na região, complicando ainda mais a recuperação dos níveis do rio.
Com o clima quente persistente e a falta de chuvas adequadas, os especialistas preveem que a baixa nos níveis do rio Paraguai poderá persistir, estendendo os desafios atuais para o futuro próximo.

