O desenrolar do caso Marielle Franco, vereadora assassinada brutalmente em 2018, ganha novos contornos com as revelações de uma delação premiada feita pelo matador de aluguel Ronnie Lessa à Polícia Federal. Segundo Lessa, o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, teria perdido o controle da situação e decidido entregar os executores do atentado para preservar os supostos autores intelectuais, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.
De acordo com o depoimento de Lessa, os irmãos Brazão estavam descontentes com Barbosa, alegando que ele havia "pulado fora" e deixado-os à própria sorte. O ex-chefe da Polícia Civil teria alegado não ter mais controle sobre a situação, o que teria levado à decisão de entregarem os executores do crime.
As investigações da Polícia Federal apontam que o assassinato da vereadora foi meticulosamente planejado por Barbosa, os irmãos Brazão e outros envolvidos. O relatório final da PF destaca que a grande repercussão midiática do crime acabou atrapalhando o planejamento dos mandantes.
Diante da pressão da sociedade civil e da mídia, Barbosa e o delegado Giniton Lages, subitamente, teriam decidido incriminar os executores do crime sob a tese do "crime de ódio", com o objetivo de encerrar as investigações e proteger os supostos mandantes.
Segundo as conclusões da PF, Rivaldo Barbosa detinha o controle final sobre o caso, com total ingerência sobre os detalhes da execução, inclusive impondo condições e exigências aos envolvidos.
Rivaldo Barbosa assumiu a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro no dia 13 de março de 2018, um dia antes do assassinato de Marielle Franco. A investigação da PF indica que Barbosa já mantinha uma relação indevida com os supostos mandantes antes mesmo do crime acontecer.
A defesa de Rivaldo Barbosa nega as acusações, argumentando que ele não obstruiu as investigações e que foi durante sua gestão que Ronnie Lessa, um dos acusados, foi preso.

