O general da reserva Laércio Vergílio, de 69 anos, foi alvo de investigações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado, conforme revelaram mensagens trocadas entre ele e o militar reformado Ailton Gonçalves de Moraes Barros. Os diálogos, obtidos após quebra de sigilo telemático, indicam discussões sobre uma possível prisão do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vergílio foi um dos investigados na operação Tempus Veritatis, que convocou 25 pessoas para prestar depoimento no dia 22 de fevereiro. Durante o interrogatório, o general negou envolvimento na suposta tentativa golpista, atribuindo as conversas a preocupações políticas e negando qualquer menção a ações fora dos limites constitucionais.
As mensagens revelam um tom de urgência nas discussões entre Vergílio e Moraes Barros, incluindo referências a uma possível prisão de Moraes, que seria conduzida pelos "Kids Pretos" em Goiás. Em áudios e mensagens de texto, Vergílio abordou estratégias e ações a serem tomadas, sugerindo a implementação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para manter o presidente Jair Bolsonaro no poder.
No entanto, o general enfatizou que as conversas não ultrapassaram os limites legais e foram apenas expressões de opinião. Ele também negou conhecimento sobre a suposta operação de prisão planejada para 18 de dezembro de 2022.
Vergílio, que ingressou na reserva remunerada em 2000 com a patente de General de Brigada, teve sua formação na Academia Militar de Agulhas Negras e serviu em diversas unidades militares, incluindo a brigada de paraquedistas no Rio de Janeiro e o 9º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em Nioaque, Mato Grosso do Sul.
O Ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, retirou o sigilo de todos os depoimentos prestados à Polícia Federal na operação Tempus Veritatis, lançando luz sobre as investigações em andamento relacionadas às tentativas de desestabilização política no país.

