Em um cenário alarmante, o Brasil enfrenta uma epidemia de dengue que já registra números históricos. Com mais de 1,8 milhão de casos prováveis em apenas 78 dias, o país atingiu um recorde assustador, superando todas as marcas anteriores desde o início da série histórica em 2000.
Os dados, divulgados pelo Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, revelam uma elevação de 13,8% em relação ao total de casos registrados em todo o ano de 2023 e um aumento de 11,8% em comparação ao ano de 2015, quando o Brasil enfrentou uma epidemia significativa.
O cenário de preocupação se agrava com o número de vítimas fatais, que já totalizam 561 óbitos confirmados, representando mais da metade do total de mortes registradas no ano anterior. Além disso, o Ministério da Saúde investiga outras 1.020 mortes que podem estar relacionadas à doença.
O coeficiente de incidência atual, de 930,4 casos por 100 mil habitantes, ultrapassa em muito o limiar estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para caracterizar uma epidemia, que é de 300 casos por 100 mil habitantes.
Atualmente, 14 unidades da federação se encontram em situação epidêmica, incluindo o Distrito Federal e estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, e outros. Nove dessas unidades já declararam estado de emergência em saúde devido à dengue, permitindo a implementação urgente de medidas preventivas e a alocação de recursos adicionais para o combate à doença.
Mato Grosso do Sul
A preocupação com a propagação da doença em Mato Grosso do Sul cresce também com o aumento dos casos de dengue nos estados limítrofes. Até o momento, cinco estados que compartilham fronteira com MS já decretaram emergência devido à dengue, elevando o alerta epidemiológico na região.
O retorno do sorotipo 3 da dengue, inativo por mais de 15 anos, é motivo adicional de preocupação para as autoridades de saúde do Estado. Além disso, as mudanças climáticas, como altas temperaturas e chuvas intensas, contribuem para o aumento da proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A situação é ainda mais delicada na região de fronteira com o Paraguai, onde a proximidade geográfica e o alto fluxo de pessoas entre os dois países intensificam o risco de propagação do vírus.
Mato Grosso do Sul registrou três mortes por dengue em 2024 e enfrenta um aumento nos casos prováveis da doença. Com 23 municípios classificados com alta incidência da doença, as autoridades de saúde redobram os esforços para intensificar as ações de prevenção e controle da dengue, mobilizando a população para eliminar possíveis criadouros do mosquito e recebendo agentes de combate às endemias em suas residências.
Neste ano, oito estados e o Distrito Federal apresentam alta no número de casos prováveis da dengue. Cinco deles estão situados na divisa com MS: Minas Gerais (424.179 casos), São Paulo (225 mil), Paraná (123.288), Distrito Federal (118.895) e Goiás (72.222). Em todas as regiões, a incidência de casos por habitantes segue acima do registrado em MS.

