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Putin garante mais seis anos no poder após eleição presidencial na Rússia obtendo 87,4 % dos votos

Vladimir Putin garantiu mais seis anos como presidente da Rússia após a eleição presidencial neste domingo, com cerca de 87,4% dos votos em leitura preliminar, segundo informações divulgadas pela Comissão Eleitoral Central do país na televisão estatal.

Esse resultado excede em muito o recorde anterior do presidente em exercício, que havia conquistado 77% dos votos nas eleições de 2018.

A participação preliminar foi estimada em 74,22%, o valor mais elevado desde que Boris Yeltsin se tornou presidente em 1991, e bem acima da participação de 67,5% registrada em 2018. Pelo menos seis regiões russas afirmaram que a participação foi superior a 90%.

Três outros candidatos de partidos leais ao Kremlin não obtiveram mais de 4% de apoio, segundo dados da comissão eleitoral. O comunista Nikolai Kharitonov tinha 4%, Vladislav Davankov do Novo Povo, partido criado em 2020, tinha 3,8%, e Leonid Slutsky, líder do ultranacionalista Partido Liberal Democrático da Rússia, ficava atrás com 3%.

Putin, que é o líder mais antigo da Rússia desde o ditador soviético Josef Stalin, estende assim seu governo de quase 25 anos para o quinto mandato, em um momento em que o exército russo está em uma ofensiva contra a Ucrânia.

Mais de dois anos após o início da guerra na Ucrânia, o maior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, a Rússia aproveita a vantagem enquanto as tropas ucranianas lutam para fornecer munições às suas forças, em meio a atrasos na ajuda militar dos aliados americanos e europeus.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em discurso por vídeo, acusou Putin de ser "viciado no poder" e de fazer "tudo o que pode para governar para sempre", afirmando que não há mal que Putin não cometerá para prolongar seu poder pessoal.

Longas filas se formaram ao meio-dia do lado de fora de alguns locais de votação, inclusive em Moscou e São Petersburgo, depois que aliados do líder da oposição Alexey Navalny, falecido no mês passado em um campo de prisioneiros no Ártico, pediram às pessoas que protestassem contra a eleição de Putin. A manifestação representou um sinal de oposição em meio a mais dura repressão do Kremlin à dissidência em décadas.

O resultado das eleições permite a Putin implementar qualquer cenário, inclusive o mais difícil, na Ucrânia, segundo analistas. O Kremlin garantiu o resultado através de manipulação eleitoral e fraude, segundo especialistas, visando mostrar que a sociedade russa está unida na luta de Putin contra a Ucrânia, o Ocidente e a ordem internacional liberal.

A economia da Rússia tem resistido em grande parte ao choque de sanções internacionais desde o início da invasão à Ucrânia, graças a um fluxo contínuo de receitas provenientes da venda de energia e à injeção maciça de despesas governamentais para apoiar a indústria de defesa e proteger as empresas nacionais.

Putin rejeitou as perspectivas de uma interrupção da guerra na Ucrânia, afirmando que a Rússia quer garantias de segurança escritas para pôr fim aos combates.

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