O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, rejeitou 192 solicitações de afastamento do ministro Alexandre de Moraes dos inquéritos relacionados aos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro, em Brasília. As decisões foram tomadas nesta terça-feira (20), em resposta aos pedidos apresentados por advogados dos réus denunciados nos inquéritos desde dezembro.
Entre os solicitantes estava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cuja defesa pleiteava que Moraes deixasse a relatoria das ações ligadas aos eventos de 8 de janeiro. Barroso negou todos os pedidos individualmente, sustentando o mesmo argumento em todas as recusas: a falta de uma demonstração clara de parcialidade por parte de Moraes.
Segundo Barroso, as defesas não conseguiram apresentar argumentos consistentes que justificassem o afastamento de Moraes. Ele destacou que os pedidos de suspeição ou impedimento de um magistrado são excepcionais e devem ser fundamentados em razões específicas, não em alegações genéricas. Para o ministro, os argumentos apresentados pelas defesas não foram suficientes para demonstrar qualquer comprometimento da imparcialidade de Moraes.
Uma das justificativas utilizadas pela defesa de Bolsonaro foi o suposto envolvimento de Moraes em um plano golpista investigado pela Polícia Federal (PF), argumento considerado "subjetivo" por Barroso. Ele ressaltou que tais alegações não foram capazes de configurar a suspeição do ministro.
As decisões de Barroso foram tomadas de forma monocrática em resposta a uma Arguição de Impedimento apresentada pela defesa dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro.

