O presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tomou uma medida contundente ao solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a lista de congressistas que teriam sido alvos de monitoramento ilegal por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.
Em seu pedido, datado de 31 de janeiro, Pacheco destacou a gravidade do possível monitoramento ilegal de Deputados Federais e Senadores da República, ressaltando que tais ações representariam uma afronta às prerrogativas parlamentares, incluindo o livre exercício do mandato e o sigilo das fontes. O presidente do Congresso Nacional busca obter informações detalhadas sobre os parlamentares monitorados e esclarecimentos sobre o procedimento adotado pelos investigados, visando a adoção de medidas institucionais pertinentes.
O recentemente exonerado diretor adjunto da Abin, Alessandro Moretti, trouxe novas reviravoltas ao caso ao afirmar ter compartilhado todo o material produzido pela chamada "Abin Paralela" com a Polícia Federal (PF). Segundo Moretti, a PF teve atendidas todas as suas solicitações à agência, e grande parte do material que compõe o inquérito da PF é resultado da apuração conduzida com total independência na Abin.
A exoneração de Moretti, demitido pelo governo Lula em reação aos últimos desdobramentos das investigações da PF sobre a Abin paralela da gestão Bolsonaro, reforça a tensão política em torno do caso. O relatório da PF, obtido por O Antagonista, aponta a possibilidade de "conluio" entre membros atuais da Abin e os investigados, ressaltando a preocupação com a exposição de documentos que poderiam comprometer a segurança das operações de inteligência.
A operação da PF, denominada "Vigilância Aproximada", é um desdobramento da "Primeira Milha", iniciada em outubro para investigar o suposto uso criminoso da ferramenta de espionagem por geolocalização, conhecida como "FirstMile". Esta operação resultou na execução de mandados de busca e apreensão contra diversas figuras públicas, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro (Carluxo), apontado como beneficiário de relatórios paralelos produzidos pela Abin para atacar adversários políticos.
Outro alvo da operação foi o ex-diretor da Abin no governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, cujo gabinete e apartamento funcional foram alvo de buscas. A investigação revelou o uso de ferramentas de geolocalização em dispositivos móveis, sem a devida autorização judicial e sem o conhecimento dos alvos.
A PF está adotando medidas alternativas à prisão, incluindo a suspensão imediata de sete policiais federais supostamente envolvidos no monitoramento ilegal. Com 21 mandados de busca e apreensão, a operação desencadeia a busca por informações cruciais para entender a extensão e a natureza das atividades da Abin Paralela, lançando luz sobre uma trama que promete abalar as estruturas políticas do país.


