O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, encontra-se no centro de mais uma operação da Polícia Federal, deflagrada nesta segunda-feira (29). Além de seu possível vínculo com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também é alvo de investigação em esquemas de 'rachadinha' e disseminação de notícias falsas.
Carlos Bolsonaro, conhecido como "02" devido à sua estreita relação com o pai, foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência e em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A operação se insere em uma investigação mais ampla que apura monitoramentos ilegais realizados pela Abin durante a gestão do ex-presidente Bolsonaro, nos quais o vereador é suspeito de ter recebido informações produzidas pela agência, que atuou de forma paralela para atender a pedidos da família.
Carlos Bolsonaro, que está em seu sexto mandato na Câmara Municipal do Rio, já enfrentava investigações em dois inquéritos no Superior Tribunal Federal (STF): o das fake news e o das milícias digitais. No primeiro, é apontado como articulador do chamado Gabinete do Ódio, responsável por ataques a adversários políticos e disseminação de informações falsas. No segundo, é investigado por alegada coordenação de milícias digitais.
Além disso, o vereador é alvo de inquérito do Ministério Público do Rio que apura possível envolvimento em esquemas de 'rachadinha' em seu gabinete. Segundo a promotoria, Carlos teria recebido depósitos sem origem, enquanto seu chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, teria recebido vultosos repasses de outros servidores.
Com a apreensão dos celulares de Carlos e seus assessores, incluindo o chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes e a assessora Luciana Paula Garcia, espera-se que as investigações avancem, possibilitando à Polícia Federal compartilhar informações com outros órgãos interessados.
Este desdobramento ocorre em um momento de intensa movimentação política, uma vez que o deputado federal Alexandre Ramagem, próximo de Jair Bolsonaro, foi alvo da PF na mesma investigação sobre atuação paralela da Abin. Carlos Bolsonaro, por sua vez, utiliza as redes sociais para defender o aliado, alegando uma suposta perseguição por parte do STF e do governo Lula.
Enquanto enfrenta essas investigações, Carlos Bolsonaro se prepara para sua campanha de reeleição à Câmara Municipal, planejando filiar-se ao PL após o Carnaval. Atualmente no Republicanos, partido que foi da base do governo do pai, Carlos busca uma nova filiação e, segundo informações, assumirá o comando municipal da legenda.


