Em mais um desdobramento da operação que investiga suspeitas de monitoramento ilegal pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal realizou buscas na residência de Giancarlo Gomes Rodrigues, militar vinculado à agência. Na ação, foram encontrados 10 celulares, três computadores, uma arma e um HD externo.
Giancarlo, que era assessor do ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), tornou-se alvo das buscas realizadas nesta segunda-feira (29). As investigações concentram-se no "núcleo político" de Ramagem, envolvendo aliados tanto de sua época na Abin quanto durante seu mandato como deputado federal.
A operação, denominada "Vigilância Aproximada", busca esclarecer um suposto esquema ilegal de espionagem que teria ocorrido durante a gestão de Ramagem na agência, sob o governo de Jair Bolsonaro. Além disso, a suspeita é de que Carlos Bolsonaro, vereador e filho do presidente, teria recebido materiais obtidos ilegalmente pela Abin.
Além de Carlos Bolsonaro e Giancarlo Gomes Rodrigues, outros alvos da operação incluem Luciana Paula Garcia da Silva Almeida, assessora de Carlos na Câmara do Rio, e Priscila Pereira e Silva, assessora de Alexandre Ramagem na Câmara dos Deputados.
Na última quinta-feira (25), Ramagem também foi alvo de buscas, resultando na apreensão de computadores, celulares e pendrives em seus endereços. O monitoramento irregular, conforme as investigações, envolveu o uso do software "First Mile" para espionar pessoas comuns, políticos e autoridades.
A Abin, em resposta, afirmou colaborar com as investigações, comprometendo-se a fornecer senhas de equipamentos apreendidos, se solicitado pela PF. Ramagem nega as acusações, e a ação continua a levantar questões sobre a atuação da Abin e sua possível interferência em assuntos políticos e pessoais.
Na nova etapa, a Polícia Federal busca avançar no núcleo político, identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente pela Abin, por meio de ações clandestinas. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, é quem assina a autorização para os mandados. A Polícia Federal suspeita que, sob o mandato de Jair Bolsonaro, a Abin atuou como um braço de coleta de informações ilegais, sem autorização judicial, e também como fonte de informações falsas, depois disseminadas por perfis de extrema direita para difamar instituições e autoridades.


