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Saúde

há 2 anos

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Relação entre o El Niño e o aumento de casos de dengue no Brasil

Médico infectologista alerta para a evolução do mosquito transmissor e aponta perspectiva de piora no quadro epidemiológico. Entenda!

A temporada de verão no Brasil, marcada por chuvas e temperaturas elevadas, sempre traz consigo a preocupação com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. No entanto, neste ano, o desafio é intensificado devido à presença do fenômeno El Niño.

Sebraetec

O médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que a dengue é uma doença adaptada ao convívio humano. Em entrevista ao podcast "O Assunto", ele destaca a evolução do mosquito, que aprendeu a coexistir com o homem.

"A epidemia depende de vários fatores, mas um dos principais é se você tem um aumento de temperatura que favorece a proliferação do mosquito, se você tem um período de chuvas intensas. E isso aparece, principalmente, nesse período de El Niño", ressalta o especialista.

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, ocorre a cada dois a sete anos, impactando diretamente no aumento da temperatura global. Stefan destaca que o atual verão está associado a uma onda de calor intensa, incentivando o mosquito a buscar mais sangue humano.

O médico alerta para a expectativa de um pico da epidemia no final de março e início de abril, gerando uma perspectiva preocupante de agravamento do quadro.

Predominância do Tipo 3: Nesta temporada, os profissionais de saúde observam uma predominância do sorotipo 3 do vírus da dengue, diferentemente de anos anteriores, quando os tipos 1 e 2 eram mais comuns. Stefan esclarece que essa mudança não indica necessariamente maior gravidade, mas sim uma maior afetação em pessoas que já foram infectadas pelos tipos 1 ou 2 no passado.

"A dengue tipo 3 está começando a predominar e está acometendo pessoas que já tiveram dengue no passado pelos [tipos] um ou dois", conclui o especialista.

Brasil 

O Brasil enfrenta um aumento alarmante nos casos de dengue em 2024, com 12 mortes e 120.874 casos prováveis registrados nas três primeiras semanas do ano, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (25). Em comparação com o mesmo período no ano anterior, houve um significativo aumento, passando de 26 óbitos e 44.753 casos prováveis.

A ministra Nísia Trindade expressou grande preocupação com a situação, ressaltando que há 85 óbitos em investigação. A circulação simultânea dos quatro sorotipos da dengue, incluindo o sorotipo 3, que não circulava de forma epidêmica há mais de 15 anos, intensifica a gravidade da situação, conforme destacou a diretora do departamento de Doenças Transmissíveis do ministério, Alda Cruz.

A chikungunya também preocupa as autoridades de saúde, com 7.063 casos registrados nas três primeiras semanas de 2024. Apesar da redução de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, a incidência da doença ainda demanda atenção. Houve uma morte confirmada pela doença, e oito casos estão sob investigação.

Em relação ao zika, os dados divulgados referem-se ao segundo semestre de 2023, com 1.954 casos prováveis, sendo 116 em gestantes. Não foram registrados óbitos, mas o vírus, transmitido pelo Aedes aegypti, continua associado a complicações neurológicas como microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré. A taxa de incidência foi de 1 caso para cada grupo de 100 mil habitantes. 

Mato Grosso do Sul 

 

O estado de Mato Grosso do Sul enfrenta um sério desafio em meio à escalada de casos de dengue, com um aumento significativo de 92,4% em 2023 em comparação com o ano anterior. Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), revelam que o total de casos notificados saltou de 21.328, em 2022, para 41.046 em 2023.

Campo Grande, a capital do estado, lidera as notificações, com um aumento expressivo de quase 50%. Em 2022, foram registrados 8.108 casos, e esse número subiu para 12.087 em 2023. Outras cidades também estão enfrentando um aumento preocupante, como Três Lagoas, Corumbá, Dourados, e outras listadas no levantamento.

A preocupação não se limita apenas ao aumento nos casos, mas também à mortalidade associada à doença. Em 2022, foram registrados 12 óbitos em todo o estado. No ano seguinte, em 2023, esse número dobrou, chegando a 24. A capital, Campo Grande, novamente liderou as estatísticas de óbitos relacionados à dengue.

O índice de mortalidade por 100 habitantes revelou um crescimento alarmante de 78,82% entre os dois anos analisados. O cenário coloca as autoridades de saúde em alerta máximo, destacando a urgência de medidas preventivas e de controle.

O boletim epidemiológico de 2024 aponta 43 novos casos notificados até o momento, enquanto a cidade de Dourados inicia a vacinação em massa contra o vírus da dengue.

Vacina 

 

O estado de Mato Grosso do Sul tornou-se pioneiro ao garantir que todas as suas 79 cidades recebam doses da vacina contra a dengue, diferenciando-se das diretrizes iniciais do Ministério da Saúde. Inicialmente, a distribuição estava prevista apenas para municípios com mais de 100 mil habitantes, como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Contudo, a estratégia foi ajustada, e o anúncio recente do Ministério da Saúde incluiu todo o estado, dividido em quatro regiões de saúde: Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá. Essa decisão foi baseada em critérios como alta transmissão de dengue em 2023 e 2024, além da predominância do sorotipo DENV-2.

O Ministério não forneceu detalhes sobre a quantidade de doses que será enviada ao estado. A vacinação, que tem previsão de início em fevereiro, abrangerá crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária com significativo registro de hospitalizações por dengue.

O Brasil é pioneiro mundial ao oferecer a vacina contra a dengue no sistema público universal. A imunização ocorrerá em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas. A incorporação da vacina pelo Ministério da Saúde ocorreu em dezembro de 2023, e Dourados saiu na frente, sendo o primeiro município a iniciar a vacinação no início de 2024.

A chegada da primeira remessa da vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda, representa um marco. Cerca de 757 mil doses já estão no Brasil, com uma segunda remessa de mais de 568 mil doses prevista para fevereiro. O Ministério da Saúde adquiriu o total disponível para 2024 - 5,2 milhões de doses - que serão entregues ao longo do ano, até novembro.

O processo de liberação e distribuição das doses está em andamento, com a previsão de início da imunização no próximo mês, marcando um avanço significativo no enfrentamento à dengue em todo o país.

 

 

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