Durante o processo de recadastramento do programa Mais Social, a Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) identificou o uso indevido do cartão por beneficiários, incluindo casos de fraudes e utilização do benefício fora do estado. A titular da pasta, Patrícia Cozzolino, revelou que aproximadamente 15% dos 70 mil cartões estavam sendo utilizados de forma irregular.
A descoberta das irregularidades levou a secretária a solicitar mudanças no sistema de cadastramento ao governador Eduardo Riedel, alegando que o método manual anterior permitiu o uso indevido do programa. Cozzolino destacou a importância de modernizar os processos via sistema para garantir maior controle sobre os benefícios.
Durante o cruzamento de dados, foram identificadas diversas situações preocupantes, como o uso do cartão por agiotas e a aquisição de itens não condizentes com a proposta do programa, como passeios e até mesmo pagamentos de motel. A secretária expressou surpresa ao descobrir casos de pessoas que nem residem mais em Mato Grosso do Sul utilizando o benefício em outros estados.
Diante dessas constatações, a Sead planeja implementar um novo recadastramento digital, prevendo a inclusão de regras mais rigorosas, como a exigência de nota fiscal durante as compras. A nova plataforma, atualmente em fase de testes, visa um controle mais efetivo, incluindo o cruzamento de dados com órgãos públicos nacionais.
A secretária ressaltou que o programa Mais Social tem o propósito de retirar pessoas da extrema pobreza e promover a mobilidade social. Diante das fraudes, a Sead busca garantir que o benefício alcance quem realmente precisa, evitando desvios de recursos públicos.
O processo de recadastramento será conduzido por servidores nas 79 secretarias municipais de Assistência Social de Mato Grosso do Sul. Será necessário que os interessados tenham uma renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 606,00) e estejam cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Cozzolino destacou que, durante o processo, será realizada uma entrevista e, caso a pessoa tenha bens materiais em seu nome, perderá o benefício. O objetivo é evitar desvios de dinheiro público e garantir que o programa atenda seu propósito original de combate à extrema pobreza e promoção da mobilidade social.


