O Equador, outrora conhecido por sua relativa paz em comparação com seus vizinhos mais problemáticos, viu-se mergulhado em uma onda de violência que revela a profunda influência do narcotráfico e das gangues. O recente assassinato de Fernando Villavicencio Valencia, candidato presidencial em Quito, destaca a escalada da violência que assola o país.
Nesta quinta-feira (10), a facção Los Lobos, uma das maiores organizações criminosas equatorianas, reivindicou a responsabilidade pelo assassinato de Villavicencio. Embora a polícia equatoriana ainda não tenha confirmado a autoria do crime, a alegação expõe as complexas ligações entre as gangues locais e os cartéis mexicanos, destacando a ascendência destes sobre o território equatoriano nos últimos anos.



Em tempos recentes, o Equador experimentou uma mudança drástica, saindo de uma taxa de homicídios relativamente baixa, em 2017, para um aumento alarmante em 2022, atingindo 25,5 assassinatos por 100 mil habitantes. Essa elevação está intrinsecamente ligada à sua transformação em uma rota essencial para o tráfico de cocaína, originária da Colômbia e do Peru.
A influência dos cartéis mexicanos, como o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), tem sido crucial nesse cenário. Apoiando financeiramente e fornecendo armas para facções locais como Los Choneros e Los Lobos, esses cartéis buscam controlar as rotas de drogas no Equador.

O confronto entre essas gangues tornou-se uma realidade cotidiana, resultando em um cenário de batalha urbana, principalmente na cidade portuária de Guayaquil. O Equador, agora considerado um importante participante na produção, refino e transporte de cocaína, tornou-se um terreno disputado por diferentes grupos criminosos, levando a confrontos sangrentos e massacres em prisões.
A crise econômica agravada pela pandemia de COVID-19 aprofundou ainda mais a situação, levando ao recrutamento forçado de jovens pelas facções, muitas vezes dentro das escolas equatorianas. O narcotráfico também exerce influência na política do país, com candidatos a cargos públicos sendo financiados ou ameaçados pelos cartéis.
Diante desse cenário alarmante, o presidente Daniel Noboa declarou um "estado de conflito armado interno", identificando 22 grupos criminosos como "organizações terroristas". A fuga de Adolfo Macías, conhecido como Fito, líder da gangue Los Choneros, desencadeou uma onda de violência que forçou o governo a agir de forma enérgica para enfrentar a crescente criminalidade.


A militarização proposta pelo presidente Noboa, embora com a intenção de combater o crime organizado, parece ter exacerbado a reação das gangues, resultando em um ciclo vicioso de violência e medidas punitivas. A situação tornou-se tão grave que o governo dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições antecipadas na tentativa de lidar com a crise política e de segurança que assola o país.
Fito, O Cérebro do Caos: A Ascensão e Violência do Líder de Los Choneros no Equador

José Adolfo Macías Villamar, conhecido como Fito, emerge das sombras da cidade costeira de Manta, na província de Manabí, como o enigmático líder da temida facção Los Choneros. Aos 44 anos, Fito acumula uma assustadora lista de 14 processos criminais, que vão desde homicídios brutais até roubo, crime organizado e posse de armas.
Criado em um ambiente estratégico para o tráfico de drogas, Fito teve sua juventude marcada pela violência e pelas artimanhas do submundo criminoso. Sua trajetória criminosa atingiu um ponto crítico em 2011, quando foi condenado a uma pena de 34 anos. Contudo, sua habilidade para escapar da prisão, evidenciada em uma fuga de dez meses em 2013, reforça a complexidade do seu perfil criminoso.

Durante o período em que permaneceu foragido, Fito e seus cúmplices tornaram-se os fugitivos mais procurados do país, com uma série de crimes adicionais acrescentados à sua lista. Quando finalmente recapturado, as autoridades apreenderam uma gama impressionante de itens, incluindo drogas ilícitas, munições, fogos de artifício e até eletrodomésticos, sinalizando a influência criminosa dentro e fora das prisões.
A ascensão meteórica de Fito à liderança de Los Choneros, em 2020, após o assassinato de Rasquiña, desencadeou uma onda de violência que reverberou nas prisões equatorianas. Reconhecidos inicialmente como assassinos de aluguel, os Choneros expandiram sua atuação para extorsão, roubo e tráfico de drogas, solidificando-se como o braço operacional do cartel mexicano de Sinaloa no tráfico de drogas em larga escala no país.
O poder recém-conquistado por Fito não veio sem custos. O ano de 2021 testemunhou uma série de massacres nas prisões, com quase 300 mortos, conforme as facções disputavam o controle e a liderança. A nomeação de Fito como líder supremo dividiu a facção, levando a conflitos sangrentos entre gangues rivais, cada uma buscando sua própria hegemonia.
Atualmente, especialistas estimam que Los Choneros, sob o comando de Fito, mantém um contingente impressionante de pelo menos 8 mil membros.


